Como a liderança feminina impulsiona lucro, inovação e um ambiente de trabalho melhor
Sua empresa pode estar perdendo dinheiro, talento e capacidade de inovar por um motivo simples: a falta de mulheres em cargos de decisão. Veja o que os números mais recentes revelam
E se a composição do board pudesse aumentar em quase 40% a probabilidade de a sua empresa superar a concorrência? Pois é isso o que aponta um estudo da McKinsey sobre diversidade de gênero em cargos executivos.
Em um mercado cada vez mais competitivo, ignorar o potencial de metade da população não é apenas um erro social: é uma falha estratégica. Empresas com mais mulheres no topo registram melhores resultados financeiros, mais inovação e ambientes de trabalho mais saudáveis. Os dados são claros. A questão é por quê — e o que sua empresa pode fazer a respeito.
A presença de mulheres no topo vai além da equidade; é um motor comprovado para resultados financeiros, inovação e um ambiente de trabalho mais saudável.
O efeito no bolso: a conexão direta entre liderança feminina e lucratividade
O argumento mais poderoso para qualquer negócio é o impacto nos resultados financeiros. E os dados mais atuais são ainda mais claros: a diversidade de gênero na liderança não é apenas “bom para a imagem”, é excelente para o caixa.
Estudos de consultorias globais e instituições financeiras de renome pintam um quadro consistente e cada vez mais forte:
- mais diversidade, mais lucro: o relatório mais recente da McKinsey & Company, “Diversity matters even more”, revela que empresas no quartil superior de diversidade em suas equipes executivas são 39% mais propensas a ter um desempenho financeiro superior à média do mercado;
- retorno sobre o investimento: um levantamento da S&P Global Market Intelligence descobriu que empresas que nomearam mulheres como CFOs (Chief Financial Officers) viram um aumento de 6% na lucratividade e um retorno de ações 8% maior nos dois anos seguintes;
- o ponto de virada dos 30%: segundo a organização The Conference Board, empresas com pelo menos 30% de mulheres em posições de liderança têm 12 vezes mais chances de estarem entre as 20% melhores em desempenho financeiro.
Mas por que isso acontece? A resposta está na forma como a diversidade enriquece a tomada de decisão. Mulheres líderes, segundo diversos estudos, tendem a promover uma gestão de risco mais equilibrada e a considerar uma gama mais ampla de variáveis antes de tomar decisões estratégicas.
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Além disso, em um mundo onde as mulheres controlam uma parcela massiva do poder de compra, ter lideranças femininas significa entender e se conectar de forma mais autêntica com o principal mercado consumidor, resultando em produtos e campanhas mais eficazes.
O motor da inovação: ambientes mais criativos e colaborativos
Se o dinheiro é o resultado, a inovação é o caminho. E ambientes homogêneos raramente são inovadores. A liderança feminina tem se mostrado um catalisador para a criação de culturas corporativas mais colaborativas e psicologicamente seguras, nas quais novas ideias podem florescer.
Líderes femininas frequentemente se destacam por competências como empatia, comunicação e inteligência emocional. Esse estilo de gestão, muitas vezes mais horizontal e inclusivo, incentiva a participação de todos os membros da equipe, fazendo com que se sintam valorizados e mais propensos a contribuir com suas melhores ideias.
A lógica é simples: diversidade de pessoas gera diversidade de pensamento. Equipes lideradas por um grupo diverso trazem diferentes experiências de vida, abordagens para a resolução de problemas e visões de mundo. Essa fricção criativa é o combustível da inovação.
O cenário brasileiro: avanços tímidos e o “degrau quebrado”
Trazendo a discussão para a nossa realidade, o Brasil tem mostrado alguns avanços. Segundo a pesquisa “Women in Business 2025” da Grant Thornton, o Brasil atingiu a marca de 38% de mulheres em cargos de liderança sênior, um número que nos mantém acima da média global, de 34%.
Contudo, a fotografia completa revela que os desafios persistem. O principal obstáculo não está no topo da escada, mas no primeiro degrau. O fenômeno conhecido como “degrau quebrado” (broken rung), identificado pela McKinsey, continua sendo a maior barreira. Dados de 2024 mostram que, para cada 100 homens promovidos de um cargo de entrada para gerente, apenas 87 mulheres alcançam o mesmo posto. Essa disparidade inicial, embora tenha melhorado ligeiramente, ainda cria um déficit que se acumula, resultando em poucas mulheres na fila para os cargos de C-level.
Investir em mulheres é investir no futuro do negócio
Os dados não mentem e se tornam mais fortes a cada ano. Promover mulheres à liderança deixou de ser uma pauta exclusiva do departamento de RH para se tornar uma conversa estratégica na mesa do conselho. Não se trata de cumprir cotas ou de uma concessão, mas de uma decisão de negócio inteligente e visionária.
Empresas que se comprometem ativamente em consertar o “degrau quebrado”, que criam culturas inclusivas e que valorizam as competências da liderança feminina, não estão apenas construindo um mundo mais justo. Elas estão construindo negócios mais resilientes, inovadores e, comprovadamente, mais lucrativos.
A pergunta que cada líder deve se fazer não é “por que deveríamos ter mais mulheres no comando?”, mas sim “o quanto estamos perdendo por não tê-las?”.