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Quem está escrevendo a sua história?

A maturidade convida a revisar as histórias que contamos sobre nós mesmas — e a assumir a autoria dos próximos capítulos

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Antes de qualquer coisa, obrigada pelo convite. Aceitei escrever para o Misses at Work porque acredito que estamos vivendo uma disputa silenciosa. Uma disputa por narrativa.

Todos os dias alguém tenta nos convencer de quem somos. A idade que deveríamos ter. O cargo que deveríamos ocupar. O corpo que deveríamos exibir. A ambição que deveríamos perseguir. A maneira como deveríamos envelhecer.

Principalmente nós, mulheres.

Durante muito tempo, eu também aceitei histórias que não eram minhas. A menina da Zona Leste que entrou na FAAP e na maior agência de publicidade do Brasil no mesmo dia aprendeu rapidamente que pertencer parecia depender de adaptação.

Eu mudei o jeito de falar, de me vestir, de me comportar. Fiz o que muitas mulheres fazem: tentei me tornar uma versão mais aceitável de mim mesma.

Funcionou. Até deixar de funcionar.

Porque existe um preço alto em viver uma história escrita pelos outros.

A executiva e coach Muriel Wilkins, em seu livro “Leadership Unblocked”, afirma que uma crença é apenas uma história que contamos para nós mesmos. Não uma verdade. Não um fato. Apenas uma narrativa que um dia fez sentido e que continuamos repetindo.

A pergunta que ela propõe é simples e poderosa: essa história ainda serve à vida que você quer construir? Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes da maturidade. Porque muitas de nós chegamos aos 40, 50 ou 60 anos carregando narrativas que foram úteis no passado, mas que já não explicam quem nos tornamos.

“Estou atrasada.”

“Não pertenço.”

“Preciso provar mais.”

“Sou velha para isso.”

“Preciso me reinventar completamente.”

“Como começar do zero?”

Será?

Recentemente, vi a capa da Vogue com Anna Wintour e Meryl Streep. Duas mulheres 75+ ocupando o centro da cultura contemporânea. Elas não desafiaram o tempo. Elas recusaram a ideia de que relevância tem prazo de validade.

Lembrei também de Agneta, personagem do filme da Netflix que abandona a vida construída em torno das necessidades do marido e dos filhos para descobrir quem ela é quando finalmente se torna protagonista da própria história.

Talvez seja sobre isso que eu queira escrever aqui.

Carreira. Liderança. Maturidade. E quero escrever sobre autoria. Sobre as histórias que herdamos. Sobre as histórias que repetimos. E sobre as histórias que ainda podemos escrever.

Porque, se existe algo que a maturidade me ensinou, é que o futuro raramente é decidido pela nossa idade. Ele costuma ser decidido pela narrativa em que escolhemos acreditar.

E essa, felizmente, continua sendo uma escolha nossa.

As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.

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Cris Heal

Executiva de negócios e comunicação com mais de 30 anos de experiência no mercado de publicidade, marketing e construção de marcas. Atualmente é sócia e Vice-Presidente de Produto, Clientes e Mercado da Batux Comunicação, agência especializada em promo , brand experience e live marketing. Cris trabalhou com grandes marcas nacionais e globais, liderando estratégias de crescimento, relacionamento com clientes e desenvolvimento de novos negócios. Também atua como Vice-Presidente de ESG da APP Brasil, contribuindo para o debate sobre liderança, sustentabilidade e transformação na indústria da comunicação.

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