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O fenômeno Shakira

Em sua coluna de estreia, Yda Tibério reflete sobre autoliderança, reinvenção e o direito de continuar ocupando espaço

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Existe uma pergunta que não saiu da minha cabeça depois da final da Copa do Mundo de 2026:

Como uma artista consegue roubar a cena do maior evento esportivo do planeta?

A Espanha levantou a taça. Mas, ao acompanhar as redes sociais, tive outra sensação. Vi uma avalanche de vídeos da apresentação de Shakira, comentários sobre sua performance e discussões que iam muito além do futebol. Em muitos momentos, parecia que sua presença disputava espaço com o próprio resultado da partida.

E aquilo me fez pensar.

Sucesso ou permanência?

Nós costumamos chamar isso de sucesso.

Eu prefiro chamar de permanência.

Porque o sucesso pode ser um momento. Permanecer é uma escolha diária.

A história de Shakira nas Copas começou em 2006. Vinte anos depois, ela voltou ao maior palco do futebol mundial não para reviver um passado glorioso, mas para provar que continua relevante.

No meio do caminho, houve uma separação pública, julgamentos, memes, manchetes e tentativas de reduzir uma mulher ao papel de “a traída”.

Ela poderia ter desaparecido.

Poderia ter escolhido o silêncio.

Poderia ter permitido que escrevessem sua história.

Mas fez algo infinitamente mais poderoso: escreveu a própria narrativa.

A própria narrativa

É aqui que, para mim, nasce a verdadeira autoliderança.

Autoliderança não é acordar motivada todos os dias. É decidir que ninguém terá o direito de definir quem você é, especialmente depois de uma queda.

Nós, mulheres, crescemos ouvindo que existe prazo para quase tudo: sonhar, mudar de carreira, recomeçar, ser desejada e ocupar espaço.

 


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Depois dos 40, esse relógio parece acelerar ainda mais. Como se a sociedade esperasse que diminuíssemos o volume da nossa voz para aumentar o conforto de quem nos observa.

Shakira faz exatamente o contrário. Aumenta o volume, ocupa mais espaço, experimenta, arrisca, trabalha, cria e continua sendo assunto.

Talvez seja justamente isso que provoque tanto fascínio. Ou tanto incômodo.

Contra a invisibilidade

Mulheres que se reinventam desafiam uma regra silenciosa: a de que deveríamos aceitar a invisibilidade com elegância.

Mas não precisamos aceitar esse roteiro.

Podemos envelhecer sem desaparecer, amadurecer sem pedir licença e transformar dor em potência. Não porque sejamos heroínas, mas porque aprendemos que ninguém fará esse trabalho por nós.

Shakira não representa todas as mulheres. Nenhuma mulher representa.

Sua trajetória, porém, nos lembra de algo importante: a nossa história não termina na maior crise da nossa vida.

Às vezes, ela começa ali.

E talvez esse seja o verdadeiro fenômeno.

Não apenas a cantora, mas a mulher que decidiu que o capítulo mais importante da própria vida seria escrito depois que todos acreditavam conhecer o final.

 

As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.

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Yda Tibério

Executiva de negócios com mais de 20 anos de experiência nos mercados de mídia, publicidade e tecnologia. Atua com expansão de mercado, desenvolvimento de negócios e parcerias estratégicas. Mãe solo, escreve sobre liderança, comportamento, inovação, negócios e protagonismo feminino.

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