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Hora do Reclame: como o cachorro da Cofap virou nome de raça

Campanha criada pela W/Brasil nos anos 1990 transformou um dachshund em personagem nacional e aproximou os amortecedores da vida das famílias

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Poucas campanhas publicitárias interferiram tanto na maneira como os brasileiros chamam um animal. No início dos anos 1990, um pequeno dachshund apareceu nos comerciais da Cofap. A associação funcionou tão bem que muita gente passou a chamar os cães da raça simplesmente de “cofap”.

O personagem divulgava os amortecedores da fabricante de autopeças. Contudo, em vez de apresentar apenas informações técnicas, os filmes exploravam o comportamento carinhoso, esperto e protetor do cachorro.

Assim, a campanha aproximou um produto pouco emocional da rotina das famílias. Como resultado, a Cofap ganhou um personagem que se tornou mais conhecido do que muitos garotos-propaganda humanos.

Ideia do cliente

A campanha nasceu de uma semelhança visual. Comprido, estreito e próximo do chão, o dachshund lembrava o formato de um amortecedor.

Curiosamente, a primeira associação não surgiu na agência. Segundo o Meio & Mensagem, o próprio cliente, Roberto Kasinski, chamou a atenção para a semelhança entre o cachorro e o produto.

A partir dessa observação, Ruy Lindenberg e Gabriel Zellmeister criaram a campanha na W/Brasil, sob direção criativa de Washington Olivetto. Julio Xavier dirigiu os filmes, enquanto o adestrador Jayro Motta trabalhou com o animal durante as gravações.

O detalhe de bastidor mostra que uma ideia publicitária pode surgir fora da criação. Nesse caso, a agência soube transformar uma percepção do cliente em personagem, narrativa e identidade de marca.

Herói pequeno

Os comerciais colocavam o cachorro em diferentes situações. Em um dos filmes mais lembrados, ele tentava impedir uma família de viajar em um carro com os amortecedores vencidos. Para isso, deitava-se diante do veículo e bloqueava a saída.

Em outra peça, o cão participava de uma corrida no parque. A narrativa aproximava sua agilidade e resistência do desempenho prometido pelos amortecedores.

Embora o produto aparecesse no final, o cachorro conduzia as histórias. Dessa maneira, a campanha falava sobre segurança automotiva sem adotar o tom frio ou excessivamente técnico comum à categoria.

Além disso, o personagem não precisava falar. Seus movimentos transmitiam preocupação, lealdade e inteligência. O público entendia rapidamente a mensagem: assim como o cão protegia a família, o amortecedor ajudava a proteger o carro e seus ocupantes.

Novo nome

Com o sucesso dos filmes, o nome Cofap ultrapassou o setor de autopeças. No Brasil, “cachorro Cofap” passou a funcionar como uma forma popular de identificar o dachshund, também chamado de cão-salsicha.

A campanha não criou a raça, evidentemente. No entanto, deu a ela uma identidade brasileira tão forte que a associação permanece décadas depois. A própria história do dachshund no país registra o papel dos comerciais na popularização do apelido.

A ação mostra a força de um personagem coerente com o produto. A aparência do cachorro remetia ao amortecedor, enquanto sua personalidade sustentava as histórias. Portanto, forma e emoção trabalhavam juntas.

Marca com afeto

O cão também ajudou a Cofap a conversar com pessoas que não acompanhavam o setor automotivo. Crianças e adultos podiam gostar dos filmes mesmo sem saber exatamente como funcionava um amortecedor.

Além disso, a assinatura “O melhor amigo do carro e do dono do carro” aproveitava uma expressão já conhecida sobre a relação entre seres humanos e cães. A campanha apenas acrescentava o automóvel à equação.

Ao transformar um dachshund em guardião do carro e da família, a W/Brasil criou mais do que um mascote. Criou uma associação tão popular que, para muitos brasileiros, a raça ganhou um novo nome.

Assista:

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Foto de Marina Paes

Marina Paes

Marina von Glehn Paes é jornalista especializada em publicidade, marketing, comunicação e inovação. Foi editora-chefe do portal Adnews, onde acompanhou os principais movimentos do mercado, tendências de consumo, mídia, criatividade e negócios. Ao longo de sua trajetória, dedica-se à cobertura do setor de comunicação, com entrevistas, análises e reportagens sobre marcas, agências, veículos, tecnologia e as transformações que impactam a indústria.

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