Trabalho remoto ou salário maior? Na comunicação, home office atrai 3 vezes mais profissionais
Levantamento da Trampos aponta que vagas remotas recebem 185% mais candidaturas do que presenciais equivalentes, com efeito sobre a atração superior ao do salário
Se você recebesse duas propostas de trabalho diferentes, uma remota e outra com um salário maior, o que escolheria? No mercado de comunicação e marketing, a preferência é clara: o trabalho remoto vale mais para o candidato do que o valor do salário.
É o que mostra um levantamento da Trampos, plataforma de recrutamento especializada no setor, que analisou mais de 8 mil oportunidades publicadas ao longo de dois anos e mais de 1 milhão de candidaturas. Nesse conjunto, as vagas remotas receberam, em média, 185% mais inscrições do que as presenciais da mesma área e senioridade. Na comparação com as híbridas, a vantagem chegou a 120%.
Segundo a plataforma, o critério “formato de trabalho” foi o que teve o maior efeito isolado sobre a atração de profissionais, à frente da remuneração.
Além do salário
O resultado, porém, exige uma distinção. Receber mais currículos não significa que uma empresa possa pagar menos porque oferece home office. Tampouco demonstra que os candidatos aceitariam trocar um salário maior pelo trabalho remoto.
O levantamento observa o comportamento de candidatura às oportunidades anunciadas. Portanto, revela quais vagas atraem mais interesse, sem estabelecer quanto cada profissional estaria disposto a abrir mão para trabalhar de casa.
Além disso, o salário continua relevante para aproximar expectativas. Quando as empresas omitem a faixa de remuneração, 39,5% dos inscritos apresentam pretensões acima do orçamento disponível. Quando informam o valor, essa proporção cai para 18,4%.
Ou seja, o formato de trabalho atrai, enquanto a clareza sobre o pagamento ajuda a evitar desencontros antes da entrevista e economiza tempo dos dois lados.
Interesse e oferta
O estudo traz outro dado relevante, que contrasta com a preferência dos profissionais: as vagas remotas vêm diminuindo ano a ano. Em 2022, o home office representava 38,17% das oportunidades publicadas na plataforma; em 2026, são 26,03%. Enquanto isso, as vagas híbridas cresceram de 16,75% para 31,04%.
Apesar disso, as oportunidades remotas continuaram à frente em volume médio de candidaturas. Em design, receberam 2,68 vezes mais inscrições do que as presenciais; em criação, 2,55 vezes; e em social media, 2,48 vezes.
Esses números pertencem a uma base diferente, com dados de 2026 até 20 de julho. Por isso, complementam a discussão, mas não devem ser tratados como parte da mesma comparação que apontou a vantagem de 185%.
Combinado não sai caro
Para quem recruta, os resultados colocam a rotina no centro da apresentação da vaga. Além das atribuições, é preciso explicar a frequência no escritório, a localização e as condições do trabalho remoto.
No caso do híbrido, essa informação faz diferença: o nome do modelo, sozinho, não esclarece quantos dias de presença a empresa exige.
Para profissionais de comunicação, a pergunta sobre onde trabalhar ganhou peso. Para as empresas, a resposta precisa aparecer antes da entrevista.

