Sua audiência despencou por causa da IA? Use o AEO a seu favor
A ascensão da IA generativa muda o caminho até o conteúdo — e o AEO surge como a resposta estratégica para marcas que querem continuar visíveis e relevantes
Por duas décadas, todo o esforço para conquistar audiência digital girou em torno de três letras: SEO, ou Search Engine Optimization. Em 2025, esse eixo se deslocou para um acrônimo novo e inevitável: AEO, ou Answer Engine Optimization. A mudança é maior do que parece. Ela altera a lógica do jogo: a IA responde, filtra e entrega a informação sem que o leitor precise clicar em nada.
Para dar uma ideia da dimensão dessa mudança, hoje, 69% das buscas relacionadas a notícias não geram nenhum clique para sites externos, segundo estudo da Similarweb. Além disso, em menos de um ano, o tráfego para portais de notícias caiu de mais de 2,3 bilhões para menos de 1,7 bilhão de visitas mensais.
Estudo da Columbia Journalism School é ainda mais alarmante: mostra que bots de busca por IA geram 95,7% menos cliques para publishers do que a busca tradicional do Google, intensificando ainda mais a erosão das fontes antigas de receita.
Ou seja, a maior parte do consumo informativo acontece, agora, dentro das respostas de IA — e não dentro dos sites.
Quando a busca entrega respostas, e não links
Até pouco tempo atrás, “buscar” significava percorrer uma lista de links. Agora, a pergunta é feita em linguagem natural, e a IA entrega uma síntese finalizada: direta, organizada e suficiente para a maior parte dos usuários. Dessa forma, se o veículo não está dentro dessa resposta, ele simplesmente desaparece daquela experiência. E o usuário, na maioria das vezes, não sabe — nem se importa — de onde veio a informação.
É essa mudança que torna o AEO inevitável. Ele não é um truque técnico, mas uma adaptação à lógica dos modelos de linguagem. IAs dão prioridade a textos que apresentam dados de forma explícita, citações claras, relações de causa e efeito bem marcadas e contexto histórico sem ambiguidades. Não é uma demanda artificial: é a forma como modelos aprendem.
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Esse movimento inclui uma sigla irmã: LEO (Large Language Model Engine Optimization), que foca especificamente em como tornar o conteúdo legível e priorizável por modelos de linguagem puros — como ChatGPT, Claude ou Gemini. AEO é o guarda-chuva; LEO é o refinamento técnico. Na prática, ambos caminham juntos.
Como adaptar seu conteúdo ao AEO
Ao contrário do que pode parecer, o AEO não exige textos curtos, duros ou escritos “para robôs”. Exige apenas clareza — aquilo que o jornalismo já deveria praticar por definição. Traduzindo: informação baseada em dados, fontes confiáveis, contexto bem explicado, distinção explícita entre fato e opinião, entre outras boas práticas.
A otimização não é uma ruptura, mas um retorno à disciplina:
- afirmações baseadas em fonte, não em suposição;
- contextualização que explica “por que isso importa”;
- estrutura que deixa evidente o que é causa e o que é consequência;
- perguntas claras dentro do texto, que orientam a IA a extrair respostas.
O AEO não inventa um padrão novo: ele torna mensurável aquilo que sempre diferenciou jornalismo bom de jornalismo mediano.
Mas isso traz tráfego, ou só visibilidade?
Os dois. Só que proporções diferentes das que o SEO entregava. No modelo antigo, a posição determinava o clique. No modelo atual, quem manda é a complexidade da pergunta.
Em perguntas simples (“horário do jogo”, “previsão do tempo”), a IA fecha a resposta ali mesmo. Portanto, zero cliques. Mas em temas complexos, sensíveis, técnicos ou em evolução, o modelo não arrisca uma resposta definitiva. Ele cita — e recomenda — fontes confiáveis. E veículos jornalísticos continuam sendo a espinha dorsal dessa confiabilidade.
É nesse território que surgem os cliques do AEO. Não no volume, mas no valor. Não na superficialidade, mas na profundidade.
Quanto mais o veículo é reconhecido como referência em um tópico, mais vezes aparece citado, linkado e sugerido. E quando a IA identifica uma marca como referência num tema, ela passa a sugeri-la repetidamente. Isso cria um ciclo de autoridade, que vale para publishers, para creators e para empresas.
Em resumo:
- conteúdos utilitários, básicos e repetitivos perderão tráfego para sempre: a IA responde sozinha;
- conteúdos profundos, autorais, técnicos, interpretativos e estratégicos ganham relevância: a IA não consegue substituí-los.
A disputa deixa de ser pela palavra-chave e passa a ser pelo tópico — e pela autoridade sobre esse tópico.
O benefício invisível: a construção de marca
Mesmo sem clique, há valor.
Quando uma IA cita sua marca recorrentemente como fonte confiável, isso alimenta o top of mind. O usuário começa a associar seu nome ao tema — e, quando decide se aprofundar, volta diretamente a você.
Essa “memória construída” será o ativo mais importante da próxima década para marcas e publishers.
O que vem agora — e quem fica para trás
A pergunta não é como recuperar o tráfego perdido. É quem vai continuar relevante quando o consumo de conteúdo acontecer cada vez mais fora dos sites, redes e plataformas originais.
O AEO e o LEO não ameaçam o mercado. Eles apenas eliminam a vantagem de quem fazia conteúdo sem rigor, sem clareza ou sem propósito. A profundidade volta a valer. A consistência volta a valer. A especialização volta a valer.
E quem entender isso primeiro entra no jogo da próxima era com anos de vantagem.

