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Campanha dá voz a mulheres com lipedema e expõe demora no diagnóstico

Minissérie “Se Eu Soubesse Antes” acompanha três mulheres e mostra como a falta de informação prolonga a dor, o preconceito e a busca por respostas

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Dor, inchaço, hematomas e alterações desproporcionais no corpo fazem parte da rotina de muitas mulheres com lipedema. Sem informação, porém, elas podem passar anos sem compreender esses sinais. Isso acontece porque a condição ainda é frequentemente confundida com obesidade, celulite ou varizes, o que dificulta o diagnóstico e amplia os julgamentos.

Essas histórias estão no centro de “Se Eu Soubesse Antes – Documentário sobre Lipedema”, minissérie que estreia em 23 de setembro no canal da ONG Movimento Lipedema no YouTube. Ao longo de seis episódios, a produção acompanha três mulheres com experiências diferentes, mas que compartilham a demora para entender o que acontecia com seus corpos.

Produzida pela KBranding e realizada pela ONG Movimento Lipedema, em parceria com o Instituto Lipedema Brasil, a série terá episódios de 14 a 18 minutos, lançados semanalmente.

O que é lipedema

O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional e simétrico de tecido adiposo, principalmente nas pernas e nos quadris. Em alguns casos, também pode atingir os braços. Entre os sintomas estão dor, sensibilidade, inchaço e facilidade para o aparecimento de hematomas.

Embora afete quase exclusivamente mulheres, a condição ainda é subdiagnosticada. Um estudo publicado no Jornal Vascular Brasileiro estimou que 12,3% das brasileiras apresentam sintomas compatíveis com alta probabilidade de lipedema. A projeção corresponde a aproximadamente 8,8 milhões de mulheres entre 18 e 69 anos.

No entanto, o levantamento foi realizado por meio de um questionário de rastreamento on-line com 253 participantes, sem confirmação médica individual. Portanto, o número representa uma estimativa de mulheres com sintomas sugestivos, e não a quantidade de diagnósticos confirmados no Brasil.

A semelhança com outras condições também pode atrasar o reconhecimento do problema. A gordura associada ao lipedema não se distribui da mesma maneira que a gordura corporal comum, e mulheres de diferentes pesos podem apresentar a condição. Ainda assim, muitas passam anos ouvindo que precisam apenas emagrecer ou praticar mais exercícios.

Histórias de mulheres

Em vez de construir a narrativa somente a partir de explicações médicas, “Se Eu Soubesse Antes” coloca a experiência das pacientes em primeiro plano. As protagonistas são Tatiana Maranhão, ex-paquita e assessora executiva; Gabriela Martinez, nutricionista, empresária e atleta; e Tamiris de Sá, criadora digital.

Cada uma conduz dois episódios. Durante a minissérie, elas falam sobre os primeiros sinais do lipedema, a procura por respostas, os tratamentos, as mudanças na rotina e os processos de reconstrução vividos após o diagnóstico.

A produção reúne depoimentos, fotografias, registros do cotidiano, treinos e imagens que mostram a evolução dos sintomas. Além disso, recupera episódios de discriminação enfrentados pelas protagonistas. Dessa forma, evidencia como o desconhecimento sobre o lipedema pode alimentar culpa, constrangimento e isolamento.

Especialistas e representantes da ONG Movimento Lipedema complementam os relatos. Entre eles está o médico Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil e especialista no tratamento cirúrgico da condição.

Informação acolhe

Ao transformar experiências pessoais em documentário, a série mostra que dar nome a uma condição pode mudar a forma como uma mulher enxerga a própria trajetória. O diagnóstico não apaga os anos de dor ou julgamento. Entretanto, ajuda a substituir a culpa pela compreensão e abre caminho para o acompanhamento adequado.

Nesse sentido, o título “Se Eu Soubesse Antes” resume uma sensação comum entre mulheres com lipedema que passam muito tempo sem respostas. O conhecimento que chega tarde também revela quantas situações poderiam ter sido vividas com menos sofrimento caso pacientes, familiares e profissionais de saúde tivessem acesso à informação.

A minissérie pretende justamente ampliar essa conversa. Ao combinar orientação especializada e histórias reais, o documentário busca alcançar tanto mulheres que reconhecem os sintomas em si mesmas quanto pessoas que ainda associam o lipedema apenas ao peso ou à aparência.

Quando assistir

O primeiro episódio de “Se Eu Soubesse Antes” será publicado em 23 de setembro. Os demais chegarão ao YouTube sempre às quartas-feiras, nos dias 30 de setembro e 7, 14, 21 e 28 de outubro. O trailer de “Se Eu Soubesse Antes” já está disponível.

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Foto de Marina Paes

Marina Paes

Marina von Glehn Paes é jornalista especializada em publicidade, marketing, comunicação e inovação. Foi editora-chefe do portal Adnews, onde acompanhou os principais movimentos do mercado, tendências de consumo, mídia, criatividade e negócios. Ao longo de sua trajetória, dedica-se à cobertura do setor de comunicação, com entrevistas, análises e reportagens sobre marcas, agências, veículos, tecnologia e as transformações que impactam a indústria.

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