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Creators ganham espaço na conversão e passam a receber por resultado

Centauro, Salon Line e Riachuelo ampliam programas que ligam conteúdo e vendas e mostram como a remuneração por performance ganha força entre os creators

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A influência digital está cada vez mais perto do caixa. Durante anos, o trabalho dos creators esteve associado principalmente a alcance, engajamento e visibilidade para as marcas. Agora, outro indicador ganha importância: a capacidade de gerar vendas.

Segundo a pesquisa O Efeito da Influência no Consumo 2026, realizada pela YOUPIX em parceria com a Nielsen, 81% dos brasileiros já compraram algum produto recomendado por um influenciador.

Esse comportamento também começa a mudar a forma como empresas se relacionam com esses profissionais. Além do pagamento pela criação e publicação de conteúdo, aparecem com mais frequência comissões, links rastreáveis, cupons e bônus ligados às vendas.

Com isso, o creator deixa de funcionar apenas como uma vitrine para a marca. Ele também passa a participar diretamente da conversão. Centauro, Salon Line e Riachuelo estão entre as empresas que apostam nesse modelo.

Centauro aposta em comunidade

Na Centauro, o social commerce ganhou uma estrutura própria e vai além do modelo tradicional de afiliados.

A operação reúne links personalizados, acompanhamento de vendas, comissões, rankings de desempenho e dados. A empresa trabalha com grandes influenciadores, especialistas e micro e nano creators ligados a esporte e lifestyle.

O modelo vem ganhando peso dentro da companhia. Segundo dados divulgados pela Centauro, o social commerce acumulou R$ 183,2 milhões em receita desde 2021 e já representa entre 5% e 6% das vendas digitais da empresa.

A marca também oferece treinamentos, incentivos e ações de reconhecimento. A ideia é manter esses profissionais por perto e estabelecer relações mais duradouras, em vez de procurá-los apenas para campanhas pontuais.

“A construção do Social Commerce na Centauro sempre foi pensada como algo muito além de um programa de afiliados. Criamos um ecossistema estruturado, que conecta marcas, creators e consumidores do esporte de forma autêntica e relevante ao longo de toda a jornada de compra”, afirma Jaques Weltman, diretor de Digital da Centauro.

Salon Line desenvolve talentos

A Salon Line também transformou sua comunidade de influenciadores em uma área importante para a marca.

O programa MIGS já reúne mais de 300 mil participantes de diferentes regiões do Brasil. A iniciativa oferece benefícios exclusivos, acesso antecipado a produtos, treinamentos e oportunidades de parcerias remuneradas.

No nível ONE, o mais alto do programa, a empresa oferece benefícios e experiências aos participantes. O MIGS também conta com um programa de afiliados, pelo qual creators podem receber comissão sobre as vendas realizadas a partir de seus conteúdos.

Assim, além de divulgar produtos, esses profissionais encontram formas de desenvolver seu trabalho e transformá-lo em uma fonte de renda.

“Mais do que mídia, creator hoje é construção de relacionamento e validação social. Temos um olhar muito forte para a base da comunidade, onde desenvolvemos novos talentos e fortalecemos a creator economy de forma estruturada”, afirma Roberto Moreira, diretor de Marketing da Salon Line.

Riachuelo remunera vendas

Na Riachuelo, a relação entre influência e venda é ainda mais direta. Por meio do programa de afiliados da marca, creators podem gerar links personalizados, divulgar produtos e acompanhar vendas e comissões.

Instagram e TikTok estão entre os principais canais usados pelos participantes. A varejista também mantém uma área específica para creators que trabalham com o TikTok Shop, com produtos em destaque, materiais e sugestões para a produção de conteúdo.

Segundo informações divulgadas pela empresa, as comissões podem chegar a 13,5% e as bonificações podem superar R$ 5 mil. Há ainda casos de participantes com ganhos mensais acima de R$ 100 mil.

Outro ponto chama atenção: não há exigência mínima de seguidores nem de taxa de engajamento para participar. A seleção considera principalmente a identificação do perfil com a marca e com as categorias de produtos oferecidas.

“Na Riachuelo, entendemos o nosso programa de afiliados como um pilar estratégico do negócio. Os criadores têm um papel cada vez mais relevante não apenas na comunicação da marca, mas também na jornada de compra”, afirma Guilherme Salgueiro, diretor de Growth da Riachuelo.

Segundo o executivo, a empresa procura olhar menos para o tamanho da audiência e mais para a dedicação do creator e para o envolvimento de sua comunidade.

Seguidores não bastam

Os exemplos mostram uma mudança importante no mercado de influência. Ter uma audiência grande, por si só, já não garante relevância para as marcas. A própria pesquisa da YOUPIX e Nielsen mostra que apenas 6% dos consumidores definem influência pelo número de seguidores.

Para os creators, esse cenário abre outras possibilidades de renda, inclusive para perfis menores e especializados. Para as empresas, permite acompanhar com mais precisão parte dos resultados dos investimentos em influência.

Mas há um cuidado importante. O valor de um creator não pode ser medido apenas pela venda realizada no fim do processo.

Apresentar uma marca, despertar interesse, criar identificação e conquistar a confiança do público também influenciam uma decisão de compra — mesmo quando não aparecem diretamente no número de cliques ou cupons utilizados.

Por isso, enquanto a remuneração por resultado ganha espaço, o desafio será encontrar um equilíbrio entre influência, relacionamento e venda. Afinal, creator pode até ajudar a vender. Mas seu trabalho não começa — nem termina — no caixa.

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Foto de Marina Paes

Marina Paes

Marina von Glehn Paes é jornalista especializada em publicidade, marketing, comunicação e inovação. Foi editora-chefe do portal Adnews, onde acompanhou os principais movimentos do mercado, tendências de consumo, mídia, criatividade e negócios. Ao longo de sua trajetória, dedica-se à cobertura do setor de comunicação, com entrevistas, análises e reportagens sobre marcas, agências, veículos, tecnologia e as transformações que impactam a indústria.

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