Mulheres comandam quase 8 em cada 10 sex shops no Brasil
Censo da ABIPEA mostra negócios enxutos, expansão recente e barreiras frequentes nas plataformas digitais
Mulheres representam 77,9% dos lojistas e empreendedores do mercado adulto brasileiro, segundo o Censo ABIPEA 2026. Realizado com 1.271 respondentes de diferentes regiões do país, o levantamento mostra que o comércio de produtos eróticos se tornou um território relevante para o empreendedorismo feminino.
A presença delas também aparece no Guia de Sex Shop, diretório nacional lançado neste ano. De acordo com os dados apresentados durante a Intimi Expo 2026, mais de 68% dos negócios cadastrados são administrados por mulheres.
Para Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto (ABIPEA) e autora do estudo, a composição do setor reflete uma mudança no modo como o mercado erótico é percebido e administrado.
“Estamos em meio a uma transformação no perfil do setor, hoje impulsionado principalmente por empreendedoras que encontraram no mercado erótico uma oportunidade de independência financeira, geração de renda e conexão com temas ligados ao bem-estar, autoestima e relacionamentos”, afirma.
Tamanho não é documento
A maioria dos empreendedores ouvidos pelo Censo tem entre 26 e 45 anos, faixa que reúne 69,1% dos participantes. Em geral, são proprietários de negócios enxutos, sem funcionários ou com equipes de até três pessoas.
Também predominam lojas com até 50 metros quadrados e faturamento mensal inferior a R$ 10 mil. Quase metade das empresas identificadas, 49,6%, foi fundada nos últimos cinco anos, entre 2021 e 2026.
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Apesar da estrutura reduzida e do cenário econômico desfavorável, 50,7% dos participantes disseram ter registrado aumento nas vendas nos últimos meses. Outros 64,7% pretendem investir ou expandir o negócio ainda em 2026.
Para Inês Barros, fundadora da Fascinação Boutique, em Rio Branco, no Acre, a entrada no segmento começou pela identificação de uma oportunidade local.
“No início foi uma oportunidade, pois aqui na minha cidade não tinha, em 2007. Mas me apaixonei pelo ramo e estou até hoje. Mudou 100% a minha vida. Devo muito a esse mercado”, relata.
Poliana Bassetto, da Khira Moda Íntima, em São Paulo, também enxergou no setor uma forma de ampliar a renda familiar. O interesse pelos produtos, segundo ela, já existia antes da abertura do negócio: “Sempre me interessei por produtos eróticos e sensuais e pesquisava muito sobre o assunto”.
Vendas pelas redes
O WhatsApp já é utilizado como canal ativo de vendas por 90% das empresas participantes. O Instagram, por sua vez, é a principal plataforma para publicação de conteúdo, citado por 48,5% dos negócios ativos.
A dependência das plataformas digitais, porém, expõe as empreendedoras a bloqueios e restrições frequentes. Segundo o Censo, 38,4% das empresas já tiveram alguma conta bloqueada.
O problema afeta inclusive negócios que investem em publicidade. Entre os entrevistados, 58,6% afirmaram aplicar recursos regularmente em mídia paga.
“Esse é um problema sistêmico que afeta os negócios do setor e reforça o ambiente desafiador para a divulgação orgânica de conteúdo adulto nas plataformas”, diz Paula.
O atendimento personalizado ainda é predominante: aparece em 80,9% dos negócios identificados. Apenas 19,1% operam exclusivamente por meio de canais e tecnologias digitais.
Muito prazer!
Cosméticos íntimos são os produtos mais vendidos pelos estabelecimentos participantes, com 31,3% das respostas. Em seguida aparecem os vibradores, com 23,9%. Juntas, as duas categorias correspondem a 55,2% das respostas válidas.
A composição das vendas indica uma aproximação crescente entre o mercado erótico e temas como autocuidado, saúde íntima, autoestima e qualidade dos relacionamentos.
Na avaliação de Inês Barros, o acesso à informação também modificou as expectativas de quem entra em uma sex shop.
“Com acesso às redes sociais e a muitas informações, o consumidor está mais exigente e consciente do que quer consumir. O cliente de sex shop hoje busca prazer, saúde íntima, autoestima e bem-estar — e cada vez mais sabe exatamente o que quer”, afirma.
O Censo ABIPEA 2026 e a terceira edição do Guia de Sex Shop foram apresentados durante a Intimi Expo, feira dedicada ao mercado adulto realizada no Brasil. A pesquisa foi coordenada pela área de inteligência da associação.


