Mulheres eleitas batem recorde, mas avanço é desigual no Congresso
Câmara terá 109 deputadas e Senado elege 12 mulheres, mas elas ainda ocuparão pouco mais de 20% das cadeiras
As mulheres eleitas em 2026 levarão a representação feminina no Congresso a um novo patamar. Após a votação de domingo, 4 de outubro, a Câmara terá 109 deputadas na próxima legislatura. No Senado, 12 mulheres conquistaram vagas, o maior número registrado em um mesmo pleito desde a redemocratização.
Entretanto, o recorde convive com desigualdades. Elas ocuparão pouco mais de um quinto das cadeiras de cada Casa. Além disso, o recorte racial revela resultados distintos: a eleição ampliou a presença de mulheres negras na Câmara, mas nenhuma das novas senadoras é negra.
Ainda minoria
Segundo os dados divulgados pela Câmara dos Deputados, 59 das 109 eleitas foram reeleitas. A nova bancada feminina corresponderá a aproximadamente 21,2% das 513 cadeiras. Os homens, por sua vez, ocuparão as outras 404 vagas.
No Senado, as 12 eleitas conquistaram parte das 54 vagas em disputa neste ano. Com elas, a bancada feminina poderá passar das atuais 15 para 18 integrantes em 2027, considerando também as suplentes em exercício. Caso essa composição se confirme, as mulheres representarão 22,2% das 81 cadeiras, informa a Agência Câmara, com informações da Agência Senado. Portal da Câmara dos Deputados
O Distrito Federal também registrou um marco: pela primeira vez, uma unidade da Federação elegeu duas mulheres para o Senado no mesmo pleito. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, se juntarão a Damares Alves, cujo mandato segue até 2031.
Já o Amapá elegeu sua primeira senadora, Rayssa Furlan, do Podemos. Assim, o Piauí passa a ser o único estado que nunca elegeu uma mulher para a Casa.
Avanço de mulheres negras
Na Câmara, o levantamento da organização Mulheres Negras Decidem identificou ao menos 15 deputadas federais negras eleitas. Em 2022, a entidade havia contabilizado nove. A comparação indica um crescimento de cerca de 66,7%, conforme os números apresentados em reportagem da Agência Brasil.
À agência, Tainah Pereira, coordenadora política da organização, destacou a presença de jovens entre essas lideranças. Em sua avaliação, o resultado sinaliza uma renovação feminina e negra na representação parlamentar.
No Senado, porém, nenhuma das 12 eleitas neste ano é negra, segundo a mesma reportagem. O contraste mostra que o crescimento da bancada feminina não ocorre de maneira uniforme quando se considera também a raça.
Representação e compromisso
O aumento do número de parlamentares mulheres tampouco garante, por si só, avanços na igualdade de gênero. Em entrevista à Agência Brasil, Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, explicou que a ampliação da presença feminina também traz maior diversidade de posições políticas, inclusive perspectivas contrárias à igualdade.
Por isso, acompanhar a próxima legislatura exige olhar tanto para quem ocupa as cadeiras quanto para as propostas e os votos dessas representantes. O recorde amplia a presença feminina. A atuação parlamentar mostrará como essa presença se traduzirá em políticas para as mulheres.
