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Brasil chega a 59% de amamentação exclusiva, mas volta ao trabalho ameaça continuidade

Dado parcial de 2026 mostra avanço entre bebês acompanhados pelo SUS; continuidade da amamentação também depende das condições oferecidas às mulheres após a licença-maternidade

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O Brasil chega ao fim do Agosto Dourado com um dado positivo: levantamento parcial de 2026 mostra que 59% dos bebês de até seis meses acompanhados pela Atenção Primária do SUS estão em aleitamento materno exclusivo. Em 2025, eram 57%, um dos maiores índices da série histórica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), iniciada em 2015.

Mas há um momento especialmente delicado para manter a amamentação: a volta da mãe ao trabalho.

Para muitas profissionais, o fim da licença-maternidade traz uma pergunta difícil: como manter a amamentação ao voltar ao trabalho?

A resposta não depende apenas da mãe. Ela também passa pela cultura, pela estrutura e pelas políticas da empresa.

A conta do trabalho

Apoiar uma profissional que retorna da licença-maternidade vai muito além da empatia individual. É preciso oferecer estrutura, tempo, privacidade e acolhimento para que ela consiga conciliar a amamentação com a rotina profissional.

A própria campanha do Agosto Dourado de 2026 chama atenção para esse ponto: segundo o Ministério das Mulheres, a continuidade da amamentação depende também do apoio do ambiente de trabalho.

Quando a empresa reconhece essa necessidade, contribui não apenas para a saúde da mãe e do bebê, mas também para um ambiente de trabalho mais inclusivo e acolhedor.

Espaço faz diferença

Oferecer um espaço adequado para a ordenha no trabalho não é uma questão de conforto ou conveniência. Para mulheres que estão amamentando, pode ser uma necessidade para aliviar o acúmulo de leite e reduzir o risco de problemas como ingurgitamento mamário e mastite.

Por isso, ter um local adequado e tempo suficiente para a extração do leite faz parte de uma política de cuidado e bem-estar.

Nenhuma mulher deveria precisar retirar leite no banheiro da empresa.

Uma sala de apoio à amamentação deve ser um espaço limpo, privativo e confortável, com estrutura adequada para a ordenha e condições seguras para o armazenamento do leite materno.

Mais do que uma comodidade, oferecer esse espaço demonstra que a empresa reconhece e respeita as necessidades das profissionais que estão vivendo a maternidade.

Pausa não é privilégio

As pausas relacionadas à amamentação e à retirada de leite precisam ser respeitadas e incorporadas à rotina de trabalho.

A legislação brasileira assegura à trabalhadora dois descansos especiais de meia hora durante a jornada para amamentar o filho até os seis meses de idade, prazo que pode ser ampliado em determinadas situações.

Não basta, porém, existir uma garantia no papel. A cultura organizacional também precisa permitir que a profissional faça suas pausas sem medo de ser julgada, penalizada ou considerada menos produtiva.

Gestores e equipes devem compreender que essas pausas fazem parte de uma rotina temporária e legítima.

Apoio também retém talentos

O retorno da licença-maternidade é uma fase importante da trajetória profissional de muitas mulheres.

Quando a empresa oferece suporte nesse momento, fortalece o sentimento de pertencimento, segurança psicológica e confiança na organização.

Uma cultura que acolhe a maternidade também pode contribuir para a retenção de talentos femininos e para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos.

O que a empresa pode fazer

Criar espaço para a ordenha

Reserve uma sala privativa para a extração do leite, que não seja o banheiro. O ambiente deve ser limpo, confortável e contar, sempre que possível, com cadeira adequada, tomada para a bomba de extração e estrutura para o armazenamento seguro do leite, como geladeira ou freezer.

Respeitar as pausas

Oriente gestores e lideranças de que as pausas para ordenha fazem parte da rotina da profissional que está amamentando. Elas não devem ser tratadas como falta de produtividade ou motivo para constrangimento.

Conversar sobre o retorno

O diálogo é fundamental. Antes do retorno da licença-maternidade, a empresa pode conversar com a profissional sobre suas necessidades, rotina, horários e estrutura disponível.

Essa escuta ajuda a construir uma transição mais tranquila e evita que a mãe precise resolver tudo sozinha depois de voltar ao trabalho.

Preparar as lideranças

Apoiar a amamentação também envolve educação e conscientização.

Lideranças preparadas conseguem acolher melhor as profissionais, evitar situações constrangedoras e contribuir para uma cultura em que maternidade e carreira não sejam tratadas como escolhas incompatíveis.

Além do Agosto Dourado

Os 59% registrados parcialmente em 2026 mostram um avanço importante, mas o número se refere aos bebês acompanhados pela Atenção Primária do SUS — não a todas as crianças brasileiras. No último levantamento nacional representativo, o Enani-2019, 45,8% das crianças de até seis meses estavam em aleitamento materno exclusivo.

A campanha de agosto ajuda a colocar a amamentação em pauta. Para quem retorna ao trabalho, porém, o desafio continua nos outros 11 meses do ano.

É no cotidiano, na disponibilidade de uma sala, no tempo para uma pausa, na reação de uma liderança e na possibilidade de conversar sobre necessidades concretas, que a empresa mostra se realmente acolhe a maternidade.

Uma empresa verdadeiramente forte não pede que a mulher escolha entre a carreira e a vida que acabou de gerar. Ela cria condições para que maternidade e carreira possam prosperar juntas.

As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.

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Foto de Raquel Poiano

Raquel Poiano

Comunicóloga, designer e estrategista de marca, apaixonada por narrativas, conexões humanas e comunicação com propósito. Mãe do Mallik, acredita na comunicação como ferramenta de conexão, pertencimento, transformação e impacto coletivo, fortalecendo iniciativas voltadas para mulheres, diversidade e cultura.

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