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O que levamos do trabalho para dentro de casa?

Em um mundo cada vez mais conectado, será que conseguimos realmente encerrar o expediente quando fechamos o computador?

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O expediente termina.

Você fecha o notebook.

Desliga a tela.

Mas, antes mesmo de sair da mesa, o celular vibra.

Uma mensagem.

Um e-mail.

Uma ideia para amanhã.

No jantar, você responde “só uma coisinha”.

Antes de dormir, revisa mentalmente tudo o que ainda precisa fazer.

O notebook ficou no escritório.

Mas será que o trabalho também ficou?

Vivemos uma época em que nunca estivemos tão conectados. Ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão difícil desconectar.

Segundo o Microsoft Work Trend Index 2025 (estudo global da Microsoft sobre tendências do mundo do trabalho), o dia de trabalho está se tornando cada vez mais “infinito”. O levantamento mostra que 40% das pessoas que já estão conectadas às 6h da manhã começam o dia lendo e-mails, enquanto as mensagens enviadas fora do horário comercial continuam crescendo, e reuniões após as 20 horas se tornaram cada vez mais frequentes.

No Brasil, pesquisadores da FGV (Fundação Getulio Vargas), da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho) e da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) também chamam a atenção para um cenário semelhante. O avanço da tecnologia, a pressão por resultados e a dificuldade em estabelecer limites entre vida profissional e pessoal estão entre os fatores que aumentam os riscos relacionados à saúde mental no trabalho.

Esses dados não significam que trabalhar muito seja, por si só, um problema.

Muito menos que gostar do que fazemos seja algo negativo.

O desafio aparece quando a intensidade deixa de ser exceção e passa a ocupar todos os espaços da vida.

E quando falamos do mercado da comunicação?

Quem trabalha com comunicação sabe que existem momentos em que a intensidade faz parte da profissão.

Concorrências.

Campanhas.

Eventos.

Mudanças de briefing.

Prazos apertados.

Tudo isso faz parte da rotina.

O problema não está nesses momentos.

O desafio começa quando a urgência deixa de ser exceção e passa a definir o ritmo da vida.

A criatividade, um dos maiores ativos da nossa profissão, também precisa de espaço para respirar.

Para muitas mulheres, existe uma camada a mais nessa história.

Quando o expediente termina, nem sempre começa o descanso.

Para muitas profissionais, começa uma nova jornada.

A organização da casa.

Os filhos.

Os compromissos da família.

As pequenas decisões que quase ninguém percebe, mas que ocupam espaço constante na mente.

Talvez por isso a sensação de “nunca desligar” seja tão comum.

O que talvez estejamos confundindo

Durante muito tempo, aprendemos que estar sempre disponível era sinal de comprometimento.

Mas disponibilidade não é a mesma coisa que presença.

Estar disponível significa poder responder.

Estar presente significa dedicar atenção verdadeira ao que estamos vivendo.

Talvez esse seja um dos maiores desafios do nosso tempo.

Não a falta de tempo.

Mas a disputa constante pela nossa atenção.

Segundo a Gallup (referência mundial em pesquisas sobre trabalho e comportamento organizacional), profissionais com maior bem-estar também apresentam níveis mais altos de engajamento e desempenho.

O descanso, portanto, não é o oposto da produtividade.

Ele faz parte dela.

Pequenas escolhas fazem diferença

Nem sempre conseguimos diminuir a quantidade de trabalho.

Mas quase sempre podemos mudar a forma como nos relacionamos com ele.

Encerrar o expediente organizando as prioridades do dia seguinte.

Evitar responder mensagens durante refeições.

Criar um pequeno ritual que marque o fim do trabalho.

Reservar momentos sem notificações.

São atitudes simples.

Mas que ajudam nossa mente a compreender que um ciclo terminou e outro começou.

No fim, tudo volta à mesma palavra: presença.

Presença para criar, liderar, ouvir e descansar.

O trabalho continuará ocupando um espaço importante na nossa vida.

Ainda bem.

É por meio dele que aprendemos, crescemos e transformamos ideias em realidade.

Especialmente para quem vive a intensidade do mercado da comunicação.

Mas talvez exista uma pergunta que valha a pena nos acompanhar quando fechamos o notebook no fim do dia.

Quando estou onde realmente quero estar… eu também estou por inteiro?

Talvez a resposta apareça em um jantar sem interrupções.

Em uma conversa que recebeu toda a sua atenção.

Na apresentação da escola de um filho.

Em um café com uma amiga.

Ou naquele raro momento em que você percebe que sua mente também encerrou o expediente.

Porque, no fim, talvez a vida não seja feita apenas das grandes entregas que realizamos.

Ela também acontece nos pequenos momentos que escolhemos viver com atenção, intenção e presença.

Dellas Consultoria Estratégica de RH

Reflexões sobre pessoas, liderança e o futuro do trabalho para o mercado da comunicação.

As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.

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Amanda Dourado e Gabriela Martin

Fundadoras da Dellas, consultoria de recrutamento especializada no mercado de comunicação, mães e empreendedoras, conectam talentos e empresas com foco em estratégia, fit cultural e um olhar humanizado para os processos. Amanda lidera novos negócios e relacionamento com clientes, enquanto Gabriela conduz a operação com atenção próxima a cada etapa do recrutamento.

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