4 dicas para fortalecer a inclusão de mães no mercado de trabalho
Da volta da licença às oportunidades de crescimento, veja caminhos concretos para reter e desenvolver mães no ambiente corporativo
A inclusão de mães no mercado de trabalho ainda encontra obstáculos reais no Brasil. Mas, segundo a especialista Flávia Mentone, CEO da Reponto, o entrave raramente está na maternidade em si, mas sim nas empresas.
“Como mãe e atuando diretamente com organizações, vejo que ainda existe uma dificuldade real em estruturar práticas que considerem a maternidade como parte da jornada profissional. Muitas vezes, faltam diretrizes claras e preparo das lideranças para lidar com essa realidade”, afirma.
Para Flávia, empresas que avançam no tema são aquelas que deixam de tratar a maternidade como exceção e passam a integrá-la aos seus processos — do retorno à licença até as oportunidades de crescimento ao longo da carreira.
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Com base em sua trajetória à frente da Reponto, empresa especializada em inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, ela elencou quatro caminhos práticos para organizações que querem evoluir nessa agenda.
1. Retorno gradual com metas ajustadas
Exigir o mesmo ritmo desde o primeiro dia após a licença é um dos erros mais comuns. Empresas que adotam uma transição progressiva — com metas proporcionais nas primeiras semanas — conseguem reduzir a sobrecarga e aumentar a retenção dessas profissionais. O recomeço precisa ser tratado como processo, não como ruptura.
2. Revisão do escopo e das prioridades do cargo
Durante a licença, equipes se reorganizam, projetos mudam e funções se transformam. Ao retornar, muitas profissionais encontram um trabalho diferente do que deixaram, sem que ninguém tenha conversado com elas sobre isso. Reavaliar demandas, redistribuir atividades e definir prioridades claras é essencial para uma reintegração eficiente e justa.
3. Flexibilidade com previsibilidade
Oferecer flexibilidade sem regras claras gera conflito. Filho doente, adaptação escolar, imprevistos na rotina — tudo isso vai acontecer. Empresas mais maduras não deixam esses momentos no improviso: definem políticas simples sobre ausências, comunicação e compensação, reduzindo atritos com lideranças e evitando desgaste desnecessário para a profissional.
4. Manutenção de visibilidade e oportunidades de crescimento
Afastar mães de projetos estratégicos como forma de “proteção” é um equívoco que compromete carreiras e sinaliza, mesmo que involuntariamente, que maternidade e ambição profissional não combinam. Empresas mais desenvolvidas nessa agenda garantem que essas profissionais continuem acessando oportunidades de desenvolvimento — com alinhamento de expectativas, não com exclusão velada.
Estrutura antes de intenção
Para Flávia, o avanço real passa por mudanças concretas na estrutura das organizações — especialmente na atuação das lideranças e na construção de uma cultura preparada para diferentes realidades.
“Quando as empresas estruturam melhor seus processos, conseguem lidar de forma mais eficiente com momentos como a maternidade ao longo da jornada profissional”, conclui a especialista.

