Presença avança, poder não: mulheres ganham 27% menos que homens mesmo em cargos iguais
Estudo da Croma Consultoria mostra que presença feminina cresceu, mas salário e liderança seguem travados
Elas são maioria nas universidades, estão chegando a setores historicamente fechados e já somam mais de 44 milhões de trabalhadoras no Brasil. Ainda assim, quando o assunto é salário e poder de decisão, as brasileiras continuam enfrentando um sistema que avança devagar.
É esse o cenário descrito pelo estudo Oldiversity, da Croma Consultoria — e confirmado, com números concretos, por levantamentos do IBGE e do Ministério do Trabalho.
Segundo a pesquisa, 90% das mulheres entrevistadas afirmam exercer hoje funções que antes eram predominantemente masculinas — reflexo de transformações importantes em setores como construção civil, engenharia, transporte, logística e segurança.
O dado, porém, é de percepção: representa como as próprias profissionais enxergam suas trajetórias.
O teto que não cede
O avanço encontra limites claros quando o assunto é liderança. Para 80% das entrevistadas, ainda há menos mulheres do que homens em cargos de comando dentro das empresas.
Os números oficiais confirmam: segundo levantamento da Exame de março de 2025, apenas 35% dos cargos de alta liderança — gerência executiva, diretoria e C-level — são ocupados por mulheres, enquanto elas correspondem a 70% das funções operacionais.
Mesma função, salário diferente
A desigualdade salarial também segue como um dos principais entraves. Na pesquisa da Croma, 78% acreditam que mulheres recebem menos do que homens mesmo ocupando as mesmas funções.
A Síntese de Indicadores Sociais 2025, do IBGE, aponta diferença média de 27,2% nos rendimentos em favor dos homens. Em cargos de diretoria e gerência, o contraste é ainda maior — homens recebem em média R$ 10.073, contra R$ 6.776 das mulheres na mesma posição.
O preço do avanço
Outro dado relevante da pesquisa diz respeito ao preço do avanço: 74% das entrevistadas concordam que, quanto mais espaço profissional conquistam, mais acumulam funções.
O fenômeno tem nome — tripla jornada — e consequências mensuráveis. Segundo o IBGE, as mulheres dedicam em média 10 horas a mais do que os homens por semana ao trabalho doméstico não remunerado.
O reflexo aparece na saúde: dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 70% dos atendimentos por burnout no SUS são realizados em mulheres.
A barreira está nas estruturas
Ao mesmo tempo, 77% das entrevistadas afirmam que mulheres têm plena capacidade para exercer os mesmos trabalhos que os homens, o que desmonta estereótipos antigos, mas também revela que cerca de 23% ainda não compartilham dessa visão. A barreira, como sugere o estudo, não está na qualificação. Está nas estruturas.
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Para Edmar Bulla, fundador da Croma Consultoria e idealizador do estudo, “as mulheres conquistaram espaço e visibilidade profissional, porém continuam enfrentando desigualdade de oportunidades, barreiras salariais e hierarquias limitantes. A inclusão plena agora depende de ações estruturais, capazes de ampliar a representatividade nos cargos de decisão e garantir equidade real entre gêneros”.
Entre as medidas consideradas centrais estão programas de liderança feminina, metas de promoção com recorte de gênero, revisão de políticas salariais e treinamentos para identificar e combater vieses inconscientes.
O Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho mostra que, entre 2016 e 2025, o número de mulheres ocupadas saltou de 37,9 milhões para 44,6 milhões. Mesmo assim, a massa de rendimentos femininos representa apenas 35% do total, contra 58,9% dos homens.
A porta de entrada foi alargada. O acesso a todos os andares ainda não.

