Seu próximo trabalho virá da indicação de ex-colegas
Pesquisa americana mostra que 60% das recolocações profissionais vêm de indicações de ex-colegas, chefes, clientes e fornecedores
Esse é o resultado de uma pesquisa realizada nos EUA entre 2012 e 2014 e publicada em 2017 na revista HBR.
Foi analisada uma amostra de 141 pessoas entrevistadas na área da Baía de San Francisco que afirmaram que networking é a razão principal para que elas conseguissem seu emprego atual.
Desse número, 60% foram indicações de pessoas com quem eles ou elas tinham trabalhado no passado. Essas conexões não são apenas ex-colegas; são chefes, fornecedores, clientes.
A razão que aparece em segundo lugar é o que os sociólogos chamam de “links fracos”, conhecido por aqui como “amigo do amigo”. Mas essa segunda posição está distante, mencionada por apenas 17% dos entrevistados.
O que mudou desde os anos 1970
Uma pesquisa semelhante, realizada nos anos 1970, deu o resultado oposto. A explicação da mudança é que naquela época o maior desafio era saber da existência da vaga.
Quem buscava recolocação precisava investigar as páginas de classificados de jornal, olhar nos quadros de avisos das empresas, ou apelar para o boca a boca mesmo. Por isso os amigos dos amigos eram tão importantes.
Referências valem mais do que currículo
Hoje, como você sabe, a questão não é saber da vaga – todas estão na internet à distância de um clique. O duro é se diferenciar.
Quem recruta tem o mesmo problema – como avaliar as candidaturas? É aí que as referências profissionais ganham importância. Busca-se dados confiáveis de quem viu a pessoa em ação, e é capaz de falar de comprometimento, alinhamento, resiliência, trabalho em equipe.
Eu recebo consultas desse tipo semanalmente – mesmo antes de trabalhar com recrutamento e seleção já recebia.
Ser lembrado bem não significa agradar a todos
Se nosso próximo emprego (job, frila, colaboração, sociedade…) virá de um vínculo profissional, é preciso tratar essas relações com muito cuidado.
Pensar em qual é a impressão que queremos passar. Isso não quer dizer concordar com tudo o que os colegas, fornecedores e clientes dizem, fazer tudo o que pedem, aceitar passivamente quando pisam na bola.
Ninguém quer contratar capacho; se impor, lutar pelo seu ponto de vista, questionar quando for hora de questionar, bater o pé na hora certa, faz bem pra imagem.
Home office dificulta — mas não impede
O contexto do home-office traz desafios nesse sentido. É mais difícil para profissionais não submetidos à convivência forçada do escritório dar visibilidade ao seu trabalho. Além do seu departamento (ou squad) e da chefia direta, o contato com o resto da empresa pode ser raro, ou nulo.
Clientes e fornecedores são testemunhas da sua atuação ética, do seu compromisso com o resultado deles e sua capacidade de resolução de problemas, mas infelizmente um rosto numa tela é diferente de uma pessoa que eles vêm pessoalmente em visitas, almoços, happy hours.
Cabe a cada um investir na sua rede de relacionamentos profissionais para compensar essa nova configuração do ambiente de trabalho do nosso tempo.
O risco do networking homogêneo
Outro desafio é que esse modelo não favorece a diversidade, cada vez mais importante para acelerar a criatividade nas organizações.
Uma operação que tem pessoas apenas de um tipo vai gerar indicações de pessoas desse tipo, e daí por diante. Nesse caso, quem precisa investir são as organizações, fazendo um esforço para ter ambientes com bastante diversidade.
Daí pra frente as próprias indicações já vão ser diversas e ciclo não se repete.
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