Liderar também é aceitar o papel de vilão
Decisões responsáveis nem sempre agradam, mas precisam estar apoiadas em critérios claros, diálogo e coerência
“Às vezes, sua paz vai te render o papel de vilão. E está tudo bem.”
Essa frase me fez pensar sobre liderança.
Quem ocupa uma posição de liderança toma decisões todos os dias. Algumas são celebradas. Outras frustram expectativas, geram desconforto e fazem com que, aos olhos de alguém — ou na história de alguém —, você passe a ser o vilão.
Dizer “não” a um projeto que perdeu prioridade. Cobrar uma entrega abaixo do esperado. Reorganizar uma equipe. Dar um feedback difícil. Defender uma estratégia que não agrada a todos.
Nos últimos tempos, temos falado muito — e com razão — sobre empatia, escuta ativa e segurança psicológica. Em alguns momentos, porém, parece que criamos a expectativa de que um bom líder é aquele capaz de conciliar todos os interesses e evitar qualquer desconforto.
Na prática, a realidade costuma ser outra.
Nem toda decisão será popular
Liderar exige ponderar interesses diferentes, assumir riscos e fazer escolhas que beneficiem o coletivo, mesmo quando elas não representam o melhor cenário para cada indivíduo.
Isso não elimina a necessidade de respeito, transparência ou diálogo. Pelo contrário: são esses elementos que dão sustentação às decisões difíceis.
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Preservar a paz não significa evitar conflitos nem buscar consenso a qualquer custo. Significa encerrar o dia sabendo que as escolhas foram feitas com critérios claros, coerência e responsabilidade.
Ainda assim, na perspectiva de quem foi impactado, você pode acabar ocupando o papel de vilão. Nem todos têm acesso ao contexto, aos critérios e à visão mais ampla que sustentaram uma decisão.
Liderar sem ser compreendido
Talvez uma das maiores demonstrações de maturidade na liderança seja aceitar que nem sempre seremos compreendidos no momento em que decidimos.
É possível ouvir, explicar, acolher reações e revisar escolhas quando necessário. Mas também é preciso entender que liderança não é um exercício permanente de aprovação.
Algumas decisões só mostram seu sentido com o tempo. Outras continuarão desagradando, mesmo quando foram tomadas com responsabilidade.
E isso também faz parte do papel.
Qual foi a decisão mais difícil que você já precisou tomar como líder?
Para ler mais sobre o assunto, confira as publicações de Andreza no LinkedIn.
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