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Dia do Voluntariado: elas transformaram seu repertório profissional em apoio a jovens

Instituto Nia Eleva mostra como experiência, contatos e conhecimentos acumulados no trabalho podem apoiar adolescentes e jovens na preparação para a vida profissional

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Voluntariado não precisa significar, necessariamente, participar de uma ação presencial ou assumir um compromisso de muitas horas por semana. Aquilo que você faz todos os dias no trabalho — revisar um currículo, preparar alguém para uma entrevista, ensinar uma ferramenta, explicar como funciona uma empresa ou indicar caminhos profissionais — também pode ser uma forma de contribuir.

Neste 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntariado, o convite é especialmente pertinente para quem acumulou experiência, repertório e uma boa rede de contatos ao longo da carreira. Esse conhecimento pode fazer diferença para jovens que começam a vida profissional sem ter por perto alguém a quem perguntar como montar um currículo, se preparar para uma entrevista ou procurar a primeira vaga.

É essa lógica que orienta parte do trabalho do Instituto Nia Eleva, organização criada em 2025 para apoiar adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Entre seus públicos estão jovens acolhidos em instituições da rede pública, para os quais desenvolve ações de fortalecimento socioemocional, educação, orientação de carreira e construção de autonomia.

“Passei a carreira toda entendendo o que trava e colocando em marcha o que precisa acontecer. No Nia Eleva, o que trava a vida desses jovens é a falta de rede — e é isso que a gente constrói todo dia”, afirma Patricia Souza, uma das fundadoras do instituto.

 

O que você sabe vale

Para quem trabalha com comunicação, publicidade, marketing, mídia, tecnologia, creator economy ou gestão, essa rede pode ser construída de formas bastante concretas.

Uma profissional de liderança pode simular uma entrevista de emprego. Quem trabalha com comunicação pode ajudar a organizar um currículo ou ensinar alguém a se apresentar profissionalmente. Uma especialista em redes sociais pode explicar como construir uma presença digital adequada para quem busca o primeiro trabalho.

Também há espaço para conhecimentos menos óbvios: ensinar a montar uma apresentação, explicar como funciona uma reunião, mostrar o básico de uma planilha, conversar sobre organização financeira ou simplesmente apresentar profissões que aquele jovem talvez ainda nem saiba que existem.

No caso de adolescentes que vivem em serviços de acolhimento, esse apoio ganha uma camada adicional. O acolhimento é uma medida temporária e deve buscar, sempre que possível, o retorno seguro à família de origem ou a inserção em uma família substituta.

Para jovens que chegam à maioridade sem essa possibilidade, a rede socioassistencial prevê inclusive serviços de república, destinados a pessoas de 18 a 21 anos e voltados à construção gradual da autonomia.

Sete formas de ajudar

O Nia Eleva trabalha com oficinas, mentorias, orientação profissional e ações de preparação para o emprego. A partir dessas frentes, reunimos sete maneiras de colocar o próprio repertório a serviço de quem está começando:

1. Revisar um currículo

O que parece básico para quem já passou por muitos processos seletivos pode ser território completamente novo para quem procura o primeiro emprego. Explicar o que colocar, o que cortar e como apresentar experiências já é uma contribuição.

2. Simular uma entrevista de emprego

Fazer perguntas, observar as respostas e dar retorno ajuda o jovem a chegar menos inseguro a uma seleção real — inclusive entendendo códigos do mercado que raramente são ensinados na escola.

3. Apresentar profissões que ele ainda não conhece

Muita gente escolhe entre as carreiras que consegue enxergar. Profissionais de publicidade, mídia, dados, conteúdo, tecnologia, design ou creator economy podem ampliar esse repertório simplesmente contando o que fazem e quais caminhos levam até essas áreas.

4. Ensinar uma ferramenta

Planilhas, apresentações, plataformas de design, ferramentas de produtividade e recursos digitais aparecem em inúmeras vagas de entrada. Uma oficina curta pode oferecer uma habilidade que o jovem poderá usar imediatamente.

5. Ajudar a construir uma presença profissional

Como se apresentar por e-mail? O que colocar no LinkedIn? O que vale mostrar em um portfólio? Para profissionais de comunicação, são conhecimentos cotidianos. Para quem está chegando agora, podem ser decisivos.

6. Compartilhar sua rede

Nem toda ajuda exige uma mentoria. Avisar sobre uma vaga, indicar um curso gratuito, apresentar alguém ou colocar uma organização em contato com uma empresa também amplia as oportunidades disponíveis.

7. Levar o voluntariado para dentro da empresa

Profissionais também podem aproximar organizações como o Nia Eleva de programas de voluntariado corporativo, treinamentos, visitas, processos de contratação ou outras iniciativas capazes de envolver mais pessoas e manter o apoio por mais tempo.

Quando a rede faz falta

O próprio trabalho do Nia parte de uma questão que costuma passar despercebida para quem sempre contou com uma estrutura familiar: boa parte da preparação para a vida adulta acontece de maneira informal.

É alguém que explica como procurar emprego, indica uma vaga, empresta roupa para uma entrevista, ajuda a entender um contrato ou simplesmente atende ao telefone quando alguma coisa dá errado.

Para jovens que saem de serviços de acolhimento sem uma rede familiar estruturada, parte dessas referências precisa ser construída em outros lugares.

“Fundar o Nia Eleva foi entender que toda criança que passa pelo acolhimento carrega uma força enorme e que, com o apoio certo, essa força vira futuro”, afirma Dayane Saraiva, cofundadora e diretora do instituto.

O Nia Eleva reúne diferentes formas de participação, de mentorias e oficinas a doações e parcerias com empresas.

Se você é dessas pessoas que sempre quis apoiar uma causa, mas não encontra tempo ou não sabe por onde começar, talvez esse seja um bom caminho.

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Foto de Redação

Redação

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