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Fest’Up 2026 faz edição histórica e reúne gerações para discutir o futuro da comunicação

Com mais de 2,4 mil inscrições, festival ocupou ESPM e Belas Artes com conversas sobre criatividade, carreira, inteligência artificial e mudanças no mercado; Misses at Work levou ao palco o debate sobre mulheres que transformam e abrem portas

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Quem passou pela ESPM e pela Belas Artes no sábado, 19 de setembro, encontrou corredores cheios, estudantes circulando entre auditórios e profissionais de diferentes gerações dividindo o palco. O Fest’Up São Paulo 2026, realizado pela APP Brasil, viveu uma edição histórica e voltou a aproximar quem está entrando na comunicação de quem já conhece bem seus bastidores.

Com o tema “Trilhas da Comunicação”, o festival reuniu mais de 2,4 mil inscrições, segundo balanço divulgado pela organização após o evento. A programação passou por publicidade, branding, entretenimento, inteligência artificial, influência, mídia, criatividade e carreira.

Além das atividades profissionais, o evento abriu espaço para uma ação de saúde. Durante o festival, o público pôde se vacinar contra o sarampo. A iniciativa levou uma medida importante de prevenção para dentro do ambiente universitário.

E havia muito assunto para colocar em dia. As ferramentas mudaram, novas profissões surgiram e a inteligência artificial entrou de vez na rotina das empresas. Ao mesmo tempo, algumas perguntas continuam bastante humanas: como construir uma carreira? O que ainda faz uma boa ideia funcionar? E que mercado os profissionais de hoje estão deixando para quem vem depois?

Publicidade em transformação

Um dos nomes que ajudaram a puxar essa conversa foi Luiz Lara, BOSS da TBWA Brasil. Em sua participação, o publicitário percorreu diferentes momentos da propaganda brasileira e falou sobre as transformações que levaram o setor da chamada era de ouro da publicidade ao ambiente digital.

A tecnologia apareceu várias vezes durante o Fest’Up, mas a criatividade e a construção de marca continuaram no centro de boa parte das conversas. Entre inteligência artificial, novos formatos e plataformas, a discussão voltou ao papel das ideias e à capacidade da comunicação de criar vínculos entre marcas e pessoas.

A própria programação mostrava como a profissão se espalhou por diferentes territórios. Branding, conteúdo, entretenimento, influência, live marketing e mídia exterior dividiram espaço com temas ligados a dados e tecnologia.

IA entra na conversa

A inteligência artificial também ganhou espaço nos palcos do festival. Em vez de aparecer apenas como novidade tecnológica, o assunto esteve ligado às mudanças no trabalho de quem cria, planeja e produz comunicação.

O debate interessa especialmente aos estudantes que participaram do Fest’Up. Muitos deles estão entrando em uma profissão na qual as ferramentas de IA já fazem parte da rotina antes mesmo do primeiro emprego.

Nesse contexto, saber operar uma ferramenta é apenas uma parte do trabalho. Repertório, capacidade de fazer boas perguntas, senso crítico e criatividade continuam separando uma execução automática de um trabalho que realmente tem algo a dizer.

OOH ganha novos caminhos

As mudanças na mídia exterior apareceram no painel “Território, tradição e tecnologia: os caminhos do novo OOH”. Fabi Soriano, diretora executiva da Central de Outdoor, e Guilherme Meyer, CEO da VEX, discutiram como dados, tecnologia e novos formatos estão ampliando as possibilidades do meio.

A conversa mostrou que o outdoor já não pode ser entendido apenas como uma peça instalada em um ponto de grande circulação. Hoje, o setor reúne telas digitais, segmentação, integração com outras mídias e diferentes formas de medir resultados.

Ao mesmo tempo, a presença no espaço urbano continua sendo um dos principais trunfos do OOH. O desafio está em usar os recursos tecnológicos sem perder de vista o contexto de cada cidade e a relação das pessoas com os lugares por onde passam.

Mulheres que abrem portas

No Auditório Castelo, na ESPM, o Misses at Work levou outra transformação para o centro da conversa.

Dani Mozer, Leila Ferraz, Cathy Birle e Danae Stephan participaram do painel “Um belo dia, resolvi mudar — O start da transformação do mercado”. O encontro tratou de carreira, liderança e das escolhas que mudam não apenas a trajetória de uma profissional, mas também podem facilitar o caminho de outras mulheres.

As experiências compartilhadas no palco passaram por temas conhecidos de muitas profissionais: mudanças de carreira, pressão, limites, liderança e a responsabilidade de quem chega a uma posição de decisão.

Havia também uma questão geracional importante naquela conversa. Mulheres com carreiras consolidadas dividiram experiências diante de uma plateia formada, em grande parte, por jovens que ainda estão escolhendo que lugar querem ocupar na comunicação.

E a troca não acontece em uma única direção. Se profissionais experientes carregam aprendizados de anos de mercado, quem está chegando traz outras expectativas sobre trabalho, liderança, diversidade e equilíbrio entre vida pessoal e carreira.

O Misses at News já havia antecipado o painel antes do evento. No sábado, a conversa ganhou corpo diante dos estudantes.

Encontro de gerações

Essa troca também orientou a palestra “Eu sou você amanhã: como ter uma vida longa em um mercado que muda sem parar?”, apresentada por Rita Almeida, líder do Lab de Humanidades, e Anne Liz, estrategista da AlmapBBDO.

As profissionais falaram sobre carreira, pesquisa e a importância de continuar aprendendo em um setor sujeito a mudanças constantes. A conversa partiu justamente do encontro entre diferentes gerações e repertórios.

Rita destacou a observação das pessoas como parte fundamental do trabalho de quem busca compreender comportamentos. Anne Liz trouxe o olhar de uma geração que iniciou a carreira em um mercado já marcado por dados, plataformas e novas formas de consumo.

O painel mostrou que a experiência profissional não precisa entrar em conflito com a novidade. Quando profissionais de idades diferentes trabalham juntas, o repertório acumulado encontra novas perguntas — e a comunicação ganha outros pontos de vista.

Da faculdade ao mercado

Essa aproximação com a vida profissional também aconteceu fora dos auditórios.

Na Belas Artes, a Feira de Estágios reuniu empresas e agências como SBT, AlmapBBDO, WMcCann e RecordTV. Os estudantes puderam conhecer oportunidades, conversar sobre processos seletivos e buscar orientações sobre currículos e portfólios.

Para um festival voltado principalmente aos universitários, esse contato ajuda a transformar o que se discute no palco em algo bastante concreto: o primeiro emprego.

O Fest’Up carrega essa característica desde sua criação. Ao longo de mais de três décadas, tornou-se um ponto de encontro entre estudantes e profissionais da comunicação. Nesse período, acompanhou as mudanças de uma indústria que hoje oferece caminhos bem diferentes daqueles existentes quando o festival nasceu.

Serginho fecha o dia

No encerramento, Serginho Groisman trouxe uma perspectiva diferente para a conversa sobre comunicação. Ao revisitar sua trajetória, o apresentador falou a uma plateia que cresceu — ou cujos pais cresceram — acompanhando seu trabalho na televisão.

A presença de Serginho também ajudou a costurar algo que apareceu durante todo o sábado: ferramentas mudam, formatos envelhecem e plataformas surgem o tempo inteiro, mas a comunicação continua profundamente ligada à capacidade de ouvir e entender pessoas.

Foi essa mistura que marcou a edição histórica do Fest’Up 2026. De um lado, estudantes tentando descobrir por onde começar. Do outro, profissionais contando o que aprenderam pelo caminho.

No meio dos dois, um mercado que não para de mudar.

E, para as mulheres que ocuparam o palco do Misses at Work, ficou ainda outra questão: depois de conquistar espaço, quantas portas é possível deixar abertas para quem chega depois?

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