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Apenas 7 mulheres estão entre as 30 vozes mais influentes do marketing

O estudo “Pulso 2026/2027 – Influência Digital e Liderança” mostra o avanço da autoridade técnica, mas também expõe a baixa presença feminina nos espaços de liderança

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A influência está mudando de endereço. Executivos, especialistas, professores e profissionais com conhecimento técnico passaram a ocupar um espaço antes associado principalmente aos criadores com grandes audiências. No entanto, uma desigualdade conhecida permanece visível: ainda há poucas mulheres entre as vozes influentes do marketing brasileiro.

Dos 30 profissionais selecionados pelo estudo “Pulso 2026/2027 – Influência Digital e Liderança”, apenas sete são mulheres. Ana Couto, Beatriz Guarezi, Bia Granja, Camila Renaux, Mari Palma, Rafaela Chagas e Rafaela Lotto representam 23,3% da lista elaborada pela consultoria Deck e pela empresa de inteligência analítica Nexus, ambas da FSB Holding.

O levantamento contempla diferentes áreas da comunicação e do marketing, como publicidade, mídia, branding, conteúdo, consultoria, educação, empreendedorismo e marketing digital. Além disso, os nomes aparecem em ordem alfabética. Portanto, a seleção não funciona como um ranking.

Ainda assim, a composição da lista permite observar quem alcança maior reconhecimento público como referência do setor. Nesse contexto, a baixa presença feminina não deve ser interpretada como falta de experiência, conhecimento ou competência. Pelo contrário, os dados sobre o mercado de trabalho mostram que as mulheres encontram mais obstáculos para alcançar os cargos e os espaços que oferecem maior projeção profissional.

Desigualdade anterior

A diferença começa antes da elaboração de qualquer lista de influência. Ela está relacionada às oportunidades de progressão na carreira, ao acesso aos cargos mais altos e à visibilidade que acompanha essas posições.

Dados do LinkedIn mostram que as mulheres representam 45,2% da força de trabalho brasileira, mas ocupam somente 32,2% dos cargos de liderança. Além disso, a participação feminina diminui conforme aumenta o nível hierárquico. Elas correspondem a 47,8% dos profissionais nos postos de entrada e a 37% nas posições plenas e seniores. Nas vice-presidências, contudo, a presença cai para 22,3%.

O levantamento identifica o chamado “degrau quebrado”, expressão usada para descrever a dificuldade enfrentada pelas mulheres já nas primeiras promoções. Com menos acesso aos postos de gestão, elas chegam em menor número aos níveis nos quais se concentram poder, remuneração, exposição e capacidade de decisão. Os números fazem parte do Panorama das Mulheres na Liderança 2026, divulgado pelo LinkedIn.

Essa diferença ajuda a contextualizar a seleção de profissionais da comunicação e do marketing. Afinal, quem ocupa uma posição de comando costuma receber mais convites para entrevistas e eventos, além de ter maior acesso a conselhos, palestras e espaços de representação institucional.

Consequentemente, a exposição gera novas oportunidades e amplia o reconhecimento profissional. Listas de influência, portanto, não surgem em um terreno neutro. Elas também refletem as desigualdades presentes nas estruturas das quais seus integrantes fazem parte.

Reconhecimento desigual

A desigualdade não significa que as mulheres exercem menos influência no cotidiano das empresas. Profissionais femininas participam da construção de marcas, definem estratégias, administram equipes, conduzem pesquisas, desenvolvem campanhas e mantêm o relacionamento com clientes e consumidores.

Entretanto, essa contribuição nem sempre resulta em cargo, salário ou visibilidade equivalentes. Em muitos casos, o trabalho acontece nos bastidores, enquanto a representação pública das empresas permanece concentrada nas lideranças masculinas.

O problema se torna ainda mais evidente quando gênero e raça são observados simultaneamente. Mulheres negras enfrentam barreiras adicionais para chegar aos cargos de direção, integrar redes de relacionamento profissional e ocupar espaços de projeção no mercado.

A publicidade, uma das áreas contempladas pelo estudo, ilustra esse afunilamento. O Censo de Diversidade das Agências apontou que as mulheres representam 57% dos profissionais das empresas pesquisadas, mas ocupavam apenas 15% dos cargos de CEO.

Entre as mulheres negras, a redução era ainda mais acentuada. Elas correspondiam a 17% do quadro geral, mas estavam em somente 6% das diretorias e 3% das posições de CEO. Os números foram apresentados pelo Observatório da Diversidade na Propaganda, iniciativa voltada ao acompanhamento da representatividade no setor publicitário.

Esses dados dizem respeito especificamente às agências e, por isso, não representam todo o universo da comunicação e do marketing. Ainda assim, ajudam a compreender como um dos segmentos que integram o setor reproduz a distância entre participação profissional e acesso ao poder.

Influência técnica

O estudo “Pulso 2026/2027” também indica que o conceito de influência está se ampliando. Alcance e número de seguidores continuam relevantes, mas agora dividem espaço com reputação, consistência temática e conhecimento especializado.

Segundo a pesquisa, 42% das vozes consideradas influentes são executivos da alta liderança. Dessa forma, especialistas, professores, empreendedores e porta-vozes corporativos ganham importância nas estratégias das marcas, sobretudo quando produzem análises, explicam temas complexos ou ajudam a interpretar mudanças do mercado.

“O poder do porta-voz das companhias se mostrou muito equilibrado com o criador de conteúdo, se não mais”, afirma Pollyana Miranda, sócia e CEO da Deck.

Por um lado, a valorização da autoridade técnica pode abrir espaço para profissionais com diferentes trajetórias. Por outro, se os homens ainda ocupam a maior parte dos cargos de decisão, também partem com vantagem no processo de construção dessa autoridade pública.

A influência, portanto, não depende apenas da capacidade de produzir um bom conteúdo. Ela também está ligada ao acesso a posições de liderança, redes de contatos, convites, palcos e oportunidades de exposição.

Os 30 selecionados

Além das sete mulheres, aparecem na lista André Siqueira, Carlos Merigo, Carlos Scappini, Dener Lippert, Diego Ivo, Eco Moliterno, Eduardo Simon, Erico Rocha, Fernando Miranda, Guta Tolmasquim, Hugo Rodrigues, Ícaro de Carvalho, João Branco, José Salibi Neto, Leandro Ladeira Neiva, Nizan Guanaes, Pedro Sobral, Pyr Marcondes, Rafael Kiso, Rafael Rez, Ricardo Silvestre, Sergio Gordilho e Vitor Peçanha.

Como foi feito

Para desenvolver o estudo, Deck e Nexus avaliaram mais de 2 mil perfis vinculados a 21 setores considerados estratégicos para a economia brasileira. Entre eles estão agronegócio, energia, finanças, inteligência artificial, saúde, telecomunicações, varejo, comunicação e marketing.

Na primeira etapa, as empresas analisaram alcance, frequência de publicação, engajamento real e consistência temática. Em seguida, diferentes modelos de linguagem ajudaram a mapear convergências entre os perfis.

Por fim, uma curadoria humana avaliou seis dimensões: afinidade, volume, engajamento qualificado, conteúdo, reputação e influência efetiva. A combinação de dados, inteligência artificial e análise humana orientou a definição dos nomes selecionados.

O estudo mostra que conhecimento e credibilidade ganham importância na creator economy. A composição da lista, porém, deixa uma pergunta para o próprio mercado: se competência e autoridade técnica são os novos critérios de influência, por que as mulheres continuam ocupando tão pouco espaço entre as vozes reconhecidas?

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Foto de Marina Paes

Marina Paes

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