Mad Money expõe a desigualdade salarial na publicidade
Criada pela brasileira Caroline Hikari, plataforma reúne indicadores de remuneração e coloca em discussão a diferença entre o que mulheres e homens recebem
A diferença salarial entre mulheres e homens ganhou uma ferramenta para entrar nas conversas das agências. A publicitária brasileira Caroline Hikari Mino, redatora da Publicis Groupe Japan, criou o Mad Money, plataforma que reúne indicadores sobre remuneração e presença feminina no mercado de comunicação.
A iniciativa nasceu de incômodos que Caroline acumulou ao longo de cerca de dez anos de carreira, com experiências no Brasil e no Japão. Em entrevista ao Meio & Mensagem, ela contou que levou quase cinco anos para trabalhar com uma diretora de criação. Também relatou ter ouvido de um chefe que mulheres deveriam ganhar menos que homens.
Foi dessa indignação que surgiu a vontade de agir. Para a criativa, abrir espaço para profissionais mulheres precisa vir acompanhado de mudanças mais profundas. “O sistema precisa mudar”, afirmou ao veículo.
Diferença na remuneração
O Mad Money propõe uma interação simples: o visitante indica quanto acredita que as mulheres recebem para cada dólar pago aos homens. Em seguida, consulta o indicador de referência. O site também apresenta um mapa para explorar informações de diferentes mercados.
Embora se apresente como um índice diário, a plataforma compila pesquisas de diferentes períodos. Portanto, não acompanha diariamente as folhas de pagamento das agências. Onde existem números específicos de publicidade ou marketing, eles aparecem nos arquivos dos mercados. Nos demais casos, o projeto utiliza referências mais amplas, como indicadores nacionais, e informa essa abrangência.
No recorte brasileiro, uma das fontes é o estudo da Pride Content, elaborado com microdados da RAIS/PDET. Segundo o levantamento, citado pelo Meio & Mensagem, a remuneração média masculina nas agências de São Paulo supera a feminina em 20,9%. O resultado compara médias do setor e, isoladamente, não demonstra a diferença entre profissionais que exercem a mesma função.
Equidade em pauta
Além da consulta, o Mad Money oferece um recurso para preparar uma mensagem ao RH sobre equidade salarial. O site orienta revisar as informações antes do envio e esclarece que a função não garante anonimato técnico de quem envia.
A proposta se aproxima de uma discussão que o Misses at News acompanhou no painel sobre barreiras à liderança feminina na comunicação. Remuneração, oportunidades de crescimento e acesso aos cargos de decisão fazem parte dessa conversa.
Caroline reconhece os limites da iniciativa. Na entrevista, explicou que espera contribuir para mudanças concretas, mesmo que o impacto comece com uma única oportunidade profissional. O Mad Money oferece referências para iniciar esse diálogo. A resposta depende também de quem contrata, promove e define salários.

