Banner publicitário

Mãe 40+: psicóloga alerta para o esgotamento invisível da geração sanduíche

Mulheres que criam filhos adolescentes e ainda cuidam de pais idosos vivem uma sobrecarga que pode evoluir para depressão; especialista explica como sair desse ciclo

Banner publicitário

Imagine terminar o dia exausta depois de levar a mãe ao médico, resolver uma crise do filho de 22 anos e ainda preparar o jantar. Sem reclamar. Sem pausar. Sem pedir ajuda.

Esse é o retrato cotidiano de milhões de brasileiras na faixa dos 40, 50 anos — e é exatamente esse cenário que a psicóloga Regina Nicolosi quer trazer à luz neste Dia das Mães.

“A maternidade na maturidade envolve muitas questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher”, afirma a especialista, doutora em comunicação e referência no atendimento a mulheres na faixa 40+.

O fenômeno tem até nome: geração sanduíche — mulheres espremidas entre filhos que ainda dependem delas financeiramente e pais idosos que precisam de cuidados parciais ou integrais.

Geração sanduíche afeta mais as mulheres

O termo pode parecer novo, mas a realidade não é. O que mudou foi a escala do problema.

Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, em 1980 apenas 4% da população brasileira tinha 65 anos ou mais. Em 2022, esse índice já ultrapassava 10% — e a tendência é de crescimento nas próximas décadas.


Leia mais

Ciência x redes sociais: como a internet está ajudando a desmistificar a menopausa

O fim da escala 6×1 é uma pauta feminista – e eu posso provar


 

“As pessoas estão vivendo mais, enquanto as famílias encolhem de tamanho. Na maioria das vezes, essa responsabilidade de cuidado recai sobre as mulheres”, analisa Regina.

Ou seja: menos irmãos para dividir o cuidado dos pais, filhos que demoram mais para se tornar independentes — e a mãe no centro de tudo isso.

Hormônios na equação

A sobrecarga emocional raramente vem sozinha. Para as mães 40+, ela coincide com um momento biológico delicado: a perimenopausa e a menopausa, fases marcadas por alterações hormonais que intensificam sintomas como irritabilidade, lapsos de memória e exaustão física.

Sem acompanhamento adequado, esse acúmulo pode evoluir para quadros depressivos. E o pior: alimentados por uma cobrança social de que a mulher “deve ser o pilar inabalável da família”.

Uma expectativa que, como destaca a especialista, não é humana. É um mito.

4 estratégias para sair do ciclo da culpa e do esgotamento

Regina Nicolosi utiliza a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) como base do seu trabalho com mulheres na maturidade. A abordagem ajuda a identificar e reestruturar pensamentos automáticos que alimentam a culpa e a sobrecarga. Confira as dicas que ela compartilha:

1. Questione a voz da culpa Aquele pensamento “eu deveria estar fazendo mais” tem nome na TCC: distorção cognitiva. Antes de aceitá-lo como verdade, pergunte-se: você está realmente falhando ou simplesmente atingiu seu limite humano?

2. Abandone o mito da Mãe Maravilha A culpa nasce da distância entre quem você é e quem você acha que deveria ser. Aceitar que não é possível dar conta de tudo sozinha não é fraqueza; é o primeiro passo para a saúde mental.

3. Distribua responsabilidades (inclusive com os filhos) Filhos na adolescência tardia ou já adultos precisam de autonomia, e isso inclui assumir tarefas domésticas e responsabilidades próprias. Se você ainda faz tudo por eles, vale perguntar: é por hábito ou por medo de desagradar?

4. Coloque o autocuidado na agenda Cuidar de si não é egoísmo. Atividades que geram prazer e relaxamento ajudam a regular o cortisol e combatem a exaustão. Isso é estratégia de sobrevivência, não luxo.

Buscar ajuda é um ato de coragem

A especialista reforça que a terapia — individual ou em grupo — pode ser uma aliada fundamental nesse processo. “Precisamos olhar para a transição demográfica com seriedade e acolher essas mulheres que carregam tanto”, conclui.

Neste Dia das Mães, a mensagem é direta: a mãe 40+ merece cuidado, apoio e espaço para existir além das demandas de todos ao redor.

 


Dra. Regina Nicolosi é psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, com consultório em Moema (SP). Atende mulheres na fase 40+ com foco em bem-estar emocional. É autora do livro Imersão Digital e Suicídio: a mortificação do corpo na sociedade midiática (2025). Mais informações: reginanicolosi.com.br | @regina_nicolosi

Banner publicitário

Redação

Ler Mais