Pesquisa revela percepções opostas entre homens e mulheres sobre parentalidade
Estudo inédito com quase dois mil profissionais aponta abismo entre a visão de pais e mães sobre a divisão dos cuidados infantis e os impactos na carreira profissional
À medida que a presença dos pais no cotidiano da criação dos filhos ganha visibilidade, as discussões sobre parentalidade passam a ocupar um papel central na gestão de pessoas e na cultura corporativa. Contudo, dados inéditos revelam que homens e mulheres vivenciam a rotina profissional e familiar sob perspectivas profundamente distintas.
Levantamento realizado pela Ticket, marca de Benefícios e Engajamento da Edenred Brasil, consultou 1.945 trabalhadores em todas as regiões do país. O estudo constata que, embora o ambiente empresarial tenha avançado na criação de políticas acolhedoras, a carga real dos cuidados e a percepção de preconceito no ambiente profissional ainda atingem mães e pais de forma desproporcional.
A ilusão da divisão equilibrada
O ponto mais crítico levantado pelo estudo está na disparidade sobre como a rotina doméstica é percebida no lar. Enquanto 90% dos pais afirmam compartilhar igualmente as tarefas de cuidado com a parceira ou parceiro, apenas 53% das mães concordam com essa afirmação. Essa diferença de 37 pontos percentuais indica que a sobrecarga feminina continua invisibilizada pela visão masculina.
A comparação com a edição anterior da pesquisa, realizada em 2022, evidencia que o abismo de percepção entre os gêneros aumentou. Naquele ano, 67% das mães consideravam a divisão equilibrada. Na nova edição, esse índice caiu para 53%. Entre os pais, o otimismo permaneceu elevado e praticamente estável, caindo de 93% para 90% no mesmo período.
Apoio corporativo e o peso do preconceito
A pesquisa também avaliou a percepção dos profissionais sobre o acolhimento oferecido pelo mercado de trabalho. Quando questionados se a empresa incentiva os colaboradores a priorizarem urgências envolvendo os filhos, 52% dos homens responderam positivamente, contra 43% das mulheres.
O preconceito no ambiente corporativo surge como outro divisor crucial. Enquanto 89% dos pais relatam nunca ter enfrentado discriminação profissional ligada ao fato de terem filhos, entre as mulheres esse número cai para 68%. Na prática, quase um terço das mães trabalhadoras relata impactos negativos ou julgamentos em suas trajetórias profissionais por conta da maternidade.
Segundo Tatiana Romero, diretora de Recursos Humanos e Sustentabilidade da Edenred Brasil, os resultados reforçam a necessidade de acelerar a transformação das culturas organizacionais:
“A parentalidade está sendo cada vez mais incorporada às discussões sobre qualidade de vida e bem-estar no ambiente corporativo. É positivo observar maior abertura para priorizar necessidades familiares, mas fica evidente que homens e mulheres ainda vivenciam essa experiência de forma diferente. O desafio das empresas é construir ambientes que apoiem igualmente mães e pais, contribuindo para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades e para relações de trabalho mais inclusivas.”
Caminhos para a igualdade real
Para especialistas, o combate a essa disparidade exige transformações profundas que vão além do discurso. Práticas como jornadas flexíveis, licenças parental estendidas, lideranças preparadas para acolher demandas familiares sem julgamento de valor e programas de mentoria para mães são fundamentais para criar um ambiente equitativo.
Ações estratégicas para as empresas:
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Flexibilidade com equidade: Implementar modelos de trabalho flexíveis sem penalizar a avaliação de desempenho de mães e pais.
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Capacitação de lideranças: Treinar gestores para identificar e mitigar vieses inconscientes associados à maternidade.
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Incentivo à paternidade ativa: Estimular culturalmente os homens a usufruírem de licenças e acompanharem rotinas médicas e escolares dos filhos.


