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“Queremos devolver às mulheres o prazer de empreender”, afirma Natália Darini, da SalveMarias

Criada em junho de 2026, SalveMarias reúne executivas experientes para apoiar empreendedoras na gestão e no crescimento de suas empresas

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Mais da metade das empreendedoras brasileiras, 56%, aponta a dupla jornada e as responsabilidades familiares como obstáculos para administrar um negócio. Além disso, 46% sentem falta de redes de apoio, segundo o estudo Empreendedorismo 2026, do Consumer Insights UOL.

A sobrecarga acompanha muitas mulheres que deixam o emprego em busca de autonomia, mas acabam concentrando todas as funções da empresa. Foi para enfrentar esse problema que a publicitária Natália Darini, ex-Ogilvy e Wunderman e fundadora da agência Renca, criou a SalveMarias, em junho de 2026.

A assessoria apoia o empreendedorismo feminino com orientação financeira, planejamento, comunicação, organização de processos e formação de lideranças.

“EUprendedorismo”

Natália chama de “EUprendedorismo” a rotina da fundadora que cuida das finanças, atende clientes, vende, administra a comunicação e resolve problemas operacionais. A empresa funciona, mas permanece dependente dela.

“Empreender é lindo, libertador e apaixonante quando você escolhe trabalhar pelo próprio sonho. No entanto, é preciso se estruturar financeiramente para não acabar fazendo tudo sozinha. É esse acúmulo de papéis, esse ‘EUprendedorismo’, que faz com que as empresas não cresçam”, afirma Natália, em entrevista concedida originalmente ao Adnews.

O acúmulo de tarefas não afeta apenas quem empreende. Como já mostrou o Misses at News na análise sobre alta performance e exaustão profissional, assumir mais responsabilidades do que deveria ainda costuma ser confundido com competência e comprometimento.

Renda desigual

O avanço do empreendedorismo feminino não eliminou a diferença de renda. Em dezembro de 2025, as empreendedoras recebiam, em média, R$ 2.929,94 por mês. Entre os homens, o rendimento chegava a R$ 3.864,12.

Elas ganhavam cerca de 24% menos, embora a proporção de mulheres com ensino superior fosse 13 pontos percentuais maior. Os números fazem parte de um estudo do Sebrae baseado na PNAD Contínua, divulgado em abril de 2026.

A desigualdade não se limita ao faturamento. Salários menores, responsabilidades domésticas e condições desiguais de acesso ao crédito formam o chamado “custo mulher”, que reduz o tempo e os recursos disponíveis para o crescimento dos negócios.

Delegar é liderar

Para Natália, a dificuldade de dividir responsabilidades também está ligada à educação recebida por muitas mulheres.

“Muitas de nós fomos educadas para não dar trabalho e não incomodar. Crescemos tentando ser o mais autossuficientes possível para poupar os outros. No ambiente profissional, esse condicionamento se traduz em um comportamento centralizador”, diz.

O receio de parecer insegura ou despreparada pode levar a empreendedora a assumir tarefas que deveriam ser compartilhadas. “Acabamos nos esquecendo de que delegar e impor limites não é incomodar, é liderar”, resume.

A reflexão se aproxima de uma discussão recorrente no Misses at News: liderar vai além do cargo e exige capacidade de desenvolver pessoas, distribuir responsabilidades e construir confiança.

Gestão integral

A SalveMarias nasceu da experiência de Natália à frente da Renca. Na agência, pequenas e médias empresas buscavam campanhas e estratégias digitais para recuperar as vendas. Nem sempre, porém, a comunicação era o principal problema.

“Muitos clientes nos procuravam acreditando que a comunicação, por si só, proporcionaria mais vendas e salvaria suas empresas. Só que comunicação não faz milagre. Algumas vezes, ela traz à tona problemas estruturais de gestão, como equipes de vendas desengajadas e estratégias de preço mal definidas”, conta.

A assessoria analisa as áreas financeira, comercial e operacional antes de recomendar mudanças na comunicação. O modelo, definido como “gestão afetiva-efetiva”, considera os processos da empresa, a rotina da empreendedora e os objetivos do negócio.

“Queremos que os negócios prosperem, mas, principalmente, devolver mais vida, mais prazer em empreender e mais tempo para que essa mulher possa estar onde quiser e com quem realmente importa”, afirma Natália.

Experiência 50+

A SalveMarias também conecta empreendedoras a executivas com mais de 50 anos. Essas profissionais acompanham os negócios e contribuem para decisões estratégicas. Ao mesmo tempo, encontram uma nova possibilidade de atuação no mercado.

“É o encontro entre o entusiasmo de quem está empreendendo e a sabedoria que vem da experiência. As empreendedoras ganham a serenidade e o pragmatismo de quem já vivenciou diferentes ciclos de mercado. Em contrapartida, as gestoras 50+ encontram uma nova opção de carreira”, explica.

O conselho consultivo reúne Marcia Esteves, presidente da Abap; Marilia Baggio, fundadora da B&Future; Cristhiane Brandão, especialista em governança corporativa; Nayara Teixeira, executiva de marketing; Cris Rabaioli, empresária e investidora; e Noêmia Teixeira, ex-executiva do setor de tecnologia.

O empreendedorismo feminino avança no país, mas abrir uma empresa não garante autonomia. Para crescer sem ampliar a sobrecarga, o negócio precisa de processos, divisão de responsabilidades e uma estrutura que não dependa da fundadora o tempo todo.

 

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Foto de Marina Paes

Marina Paes

Marina von Glehn Paes é jornalista especializada em publicidade, marketing, comunicação e inovação. Foi editora-chefe do portal Adnews, onde acompanhou os principais movimentos do mercado, tendências de consumo, mídia, criatividade e negócios. Ao longo de sua trajetória, dedica-se à cobertura do setor de comunicação, com entrevistas, análises e reportagens sobre marcas, agências, veículos, tecnologia e as transformações que impactam a indústria.

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