Como “Duna”, de Frank Herbert, alerta sobre o futuro com inteligência artificial

Duna profetiza o apocalipse da IA? Resgate sua mente humana antes que bots nos pilotem para um abismo digital.

“Duna” está de volta com tudo. O universo fantástico de Frank Herbert, uma das maiores sagas da ficção científica mundial, bombou novamente com os filmes de Denis Villeneuve (2021 e 2024), que adaptaram o primeiro livro. Em dezembro, no final deste ano, chega às telas “Messias de Duna””, baseado no segundo livro da coleção.

Tenho “Duna” (a segunda edição lançada no Brasil) na cabeceira desde o ano da morte do autor, em 1986. E tenho também tatuada uma frase do Mentat Piter de Vries do filme de 1984: “É somente pela minha vontade que coloco minha mente em movimento”, com os planetas da Guilda, e em breve vou riscar o mantra icônico da Litania contra o medo: “O medo é a morte da mente”. Esse é meu nível de fanbase!

 


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A saga oficial tem seis livros, com mais de 10 milhões de cópias vendidas — um dos romances mais lidos de todos os tempos. Brian Herbert, filho do autor, expandiu o universo com obras póstumas, como “Profecia de Duna”, que virou série na HBO (recomendadíssimo, sobretudo para nós, mulheres!).

No cinema, tivemos a versão cultuada (e criticada) de David Lynch nos anos 80, o documentário do filme megalomaníaco que Jodorowsky nunca dirigiu, e minisséries como “Duna (2000) e “Filhos de Duna (2003), recheadas do enredo primordial, porém lotadas de falhas técnicas.

A visão profética de Frank Herbert

Frank Herbert (1920-1986) construiu “Duna” em torno de críticas sociais, políticas e ecológicas visionárias. A premissa central? O resgate da mente humana como o maior poder do universo.

Isso após uma cruzada conhecida como Jihad Butleriana, ocorrida há aproximadamente 21 mil anos à nossa frente, contra computadores, máquinas pensantes e robôs conscientes, porque o mandamento é claro: “Não farás uma máquina semelhante à mente humana”.

Sem IAs ou bots, humanos treinam para serem supercomputadores: os Mentats, calculistas humanos; as Bene Gesserit, mestres do corpo e da mente que manipulam geneticamente o poder alimentando intrigas políticas; e os Navegadores da Guilda, que — sem tecnologia alguma — pilotam naves espaciais que dobram o espaço pelo poder imaginativo e materialístico, só acessível aos viciados na droga psíquica Spice Melange, exclusiva do planeta Arrakis chamado de Duna (um steampunk cósmico total). Tem até o Kwisatz Haderach, o superser messiânico — imagine Google, Meta e STF misturados.

Herbert influenciou toda a ficção científica dos anos 60 e 70 em diante, e tudo o que foi produzido no formato sci-fi desde de então tem um dedinho de Melange, mas ele morreu sem ver o ChatGPT ou IAs generativas. Porém, sua crítica à dependência tecnológica ecoa alto hoje.

Duna vs. IA: uma crítica atemporal

Eu amo esse universo desde os 12 anos, mas vejo nele um alerta para o século XXI. Em um papo inspirador com meu oráculo, e porque não dizer, Mentat Páris Piedade Neto, ele me cutucou: “IA não é inteligente, é uma ferramenta. O ser humano, desconectado da alma e viciado em tecnologia (dopamina + sofá), é o vulnerável. Mais tech não leva a nenhum lugar novo, mas elevar a alma, sim, abre caminhos transformadores”.

Exato, porque IA — ou Large Language Models (LLMs) — é só um repositório de aprendizado de máquina, como qualquer ferramenta. No meu quintal de 20 anos no mercado publicitário e digital, ela é playground e risco. Baixei ano passado o guia impecável da IAB Brasil sobre Brand Suitability e Combate à Fraude. A primeira parte importa metodologias gringas (analiso em outro artigo), mas é ouro para navegar o caos da mídia digital: vilões sofisticados hackeiam funis extensos, e IA devora tudo com Spice Melange — ou farinha, dada a violência do ecossistema.

Lições para 2100: seja Bene Gesserit ou Mentat, mas não seja refém de robô

Duna nos lembra: proíba máquinas que imitam mentes e treine humanos para pensar, porque hoje, com IA gerado por desejo e mãos humanas, haja conteúdo falso (MFA me dá arrepios), fraudes e vícios digitais. Precisamos da Litania contra o Medo, e sejamos corajosos para raciocinar.

Eu sempre brinco que um dia meu corpo pode aparece boiando no Rio Pinheiros pelas provocações inúmeras que faço ao status quo, mas sou tipo Bene Gesserit, treinada, mulher Mentat: penso independentemente, amplio meus horizontes e sou crítica do meu próprio veneno, e ganha-pão, tecnológico.

No século XXI — e nos próximos —, isso seguirá incomodando?  Mas é pela nossa vontade que colocamos a mente em movimento.

E você? Pronto para dobrar o “espaço” digital?


Dani Mozer

Dani Mozer é publicitária de coração, DPO, e agora colunista, com 20 anos em mídia e marketing digital, fundadora da Content Lovers Digital e cofundadora do Misses at Work.

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