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Na hora da encruzilhada profissional, procure uma amiga

Quando as respostas parecem não sair do lugar, uma visão externa pode revelar os limites que não conseguimos perceber sozinhos

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Às vezes, a gente se vê numa encruzilhada na carreira. Parece que estamos estagnados. Não sabemos se tentamos alguma coisa nova ou se seguimos no mesmo rumo. Se nos aprofundamos nos estudos ou marcamos 200 cafés. Se é melhor procurar parceiros e colegas antigos ou tentar conexão com gente nova. Se mantemos o mesmo escopo e remuneração ou damos um passo atrás estratégico.

Tem um grupo que defende que, nesses momentos de encruzilhada, a saída é olhar para dentro. Focar na leitura, na meditação, no jejum, na espiritualidade, nos retiros esotéricos e até nos alucinógenos de última geração. Busca-se a solução dos enroscos a partir da espiritualidade autocentrada.

O jornalista David Brooks, no espetacular “Como conhecer bem uma pessoa”, cita pesquisas que não deixam dúvidas: “A introspecção é supervalorizada”. Nada contra a espiritualidade, coisa positiva que ajuda em muitas situações. Mas, quando a gente encontra aquele atoleiro que parece não ter jeito de resolver, a gente trava. Sozinhos, ficamos empacados naquele tema e não chegamos a lugar algum.

Brooks é bem conhecido nos Estados Unidos: foi colunista do New York Times por mais de duas décadas e é autor de vários best-sellers. Por aqui, O Animal Social” até teve alguma repercussão. O autor explica que empacamos por causa dos modelos que usamos para entender as coisas.

Eles fornecem nossa perspectiva particular, nossa maneira individual e única de ver e sentir, mas também limitam o alcance do nosso entendimento. E a gente não se toca: “Você não consegue enxergar os modelos que usa para perceber o mundo porque está olhando com eles”, continua Brooks.

Uma visão de fora

A gente não consegue enxergar a limitação dos nossos modelos, mas os outros conseguem. O caminho para desempacar é a comunicação, a troca, a possibilidade de acesso à forma como os outros nos veem. “As pessoas precisam de amigos e amigas que possam oferecer uma visão externa delas mesmas, à qual elas não têm acesso sozinhas”, conclui Brooks.

É uma pena que a imagem do trabalho de coaching tenha sido destruída por uma legião de enganadores, porque a ideia original é essa: alguém que nos ajude a perceber a limitação dos nossos modelos, a questioná-los e, no processo, crescer. Já usei e achei ótimo. Mas amigos e amigas, colegas, chefes, mestres e outras figuras também podem fazer esse papel.

O que não dá certo, nessas horas de dúvida, é se fechar. Brooks lembra que, sem ouvir ninguém, a gente tende a seguir por dois caminhos. O primeiro deles é achar uma solução fácil, que dá um alívio momentâneo, mas não resolve nada. É só uma historinha para a gente se sentir bem ou para contar aos outros.

“Eu sou muito competente, assusto os recrutadores.” “Estou sendo vítima de…” — coloque qualquer preconceito aí. “Estou aguardando uma posição que faça jus ao meu talento.” E por aí vai — você sabe bem como é isso.

O outro caminho é ainda pior. A gente começa a cismar, matutar, remoer, elucubrar, ruminar. Vamos revisitando as besteiras feitas, as más decisões ou as injustiças sofridas e nos sentindo cada vez piores. Para a depressão e o Rivotril é um tropeço.

Quando a amiga é você

E quando estamos na situação contrária — o nosso amigo é que está precisando de uma luz? Momento arriscado, hein. Como você sabe, resolver a vida dos outros é fácil.

O coach — de verdade, tá? Não esses aí que sobem montanha e cobram uma fortuna por um fim de semana de “imersão” — se prepara durante anos para essa tarefa. Para evitar cenas fortes de autoajuda explícita, vou falar só três coisas simples:

  • Ajuda só é ajuda se foi pedida. Se o outro não pediu, vira invasão.
  • O mais importante de tudo é escutar. Às vezes, só de ouvir com atenção e interesse já estamos fazendo muito.
  • Se for o caso de falar alguma coisa — e não apenas ouvir —, não tente se colocar no lugar do outro. “Eu, se estivesse na sua posição…” não funciona porque a outra pessoa não é você. O que faz a diferença é entender como ela se sente. Sim, chama-se empatia e é fundamental se a gente quer conhecer qualquer pessoa.

As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.

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Foto de Enor Paiano

Enor Paiano

Pioneiro da internet brasileira e experiente gestor de equipes de vendas, dirige a MidiaBizz, consultoria de RH focada no mercado de mídia.

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