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Misses at Mail nº 25: Fest’Up, IAB e a campanha da Converse que deu muito errado

Olá, Misses!

Se você acompanha nossa newsletter todo sábado, deve ter notado que esta edição não chegou no dia de sempre. É que ela também não é uma edição como as outras.

Isso porque a semana passada reuniu em São Paulo dois importantes eventos do mercado de comunicação: o IAB Adtech & Branding 2026, com dois dias de debates sobre publicidade digital, tecnologia, mídia e negócios, e uma edição histórica do Fest’Up SP, tradicional encontro da APP voltado à formação e à aproximação entre estudantes e profissionais do setor.

E o Misses at News esteve nos dois. No IAB, acompanhamos painéis, conversamos com executivos e voltamos com uma boa lista de assuntos para investigar.

No Fest’Up, além de circular pelos palcos e corredores atrás de pauta, também estivemos em cima do palco: eu (Danae Stephan), Dani Mozer, Cathy Birle e Leila Ferraz participamos de uma conversa sobre carreira, liderança e as mudanças de rota que fazem parte de uma vida profissional.

Por isso, em vez do nosso giro habitual, reunimos algumas das conversas e provocações que trouxemos dos dois eventos. Já tem coisa no ar e nas redes, e muito assunto ainda vai virar matéria nos próximos dias.

🎤 Um belo dia, resolvemos mudar

Misses no Fest'Up 2026

Com mais de 30 anos de história, o Fest’Up é um dos principais encontros entre estudantes e profissionais da comunicação do país. Em 2025, reuniu mais de 2 mil pessoas, 100 palestrantes e 100 horas de conteúdo. Neste ano, voltou a ocupar simultaneamente a ESPM e a Belas Artes, com palestras, oficinas e diferentes trilhas de conteúdo. Serginho Groisman foi um dos destaques da programação.

E, no meio desse line-up, estávamos nós.

Nossa relação com a APP Brasil não começou agora. Dani Mozer, cofundadora do Misses at Work, integra a diretoria da entidade, e a parceria levou ao Fest’Up o painel “Um belo dia, resolvi mudar”.

No palco estávamos eu (Danae Stephan), Dani Mozer, Cathy Birle, do ecossistema Misses, e Leila Ferraz, sócia da Agência Oribá. Falamos de carreira, liderança, mudanças de rota e do que cada uma de nós aprendeu — ou precisou desaprender — ao longo do caminho.

Quando perguntaram a Dani sobre a cobrança para que mulheres sejam sempre agradáveis, disponíveis e conciliadoras, a resposta foi econômica:

“Caguei.”

Todos riram –mas com respeito. Falamos de autoridade, assédio, etarismo, mentoria, relações entre gerações e homens aliados. Até que alguém na plateia perguntou: quem abriu as portas para vocês?

Foi só ali que me dei conta, pela primeira vez, de que quem abriu portas para mim foram, sempre, outras mulheres. Todas as vezes.

Depois do painel, a estudante de jornalismo de Lorena Ana Clara Rodrigues da Silva, a Mushu, falou com a gente justamente sobre a importância dessas referências:

“É tão difícil a gente ter mulheres como referência, principalmente de escrita.”

Por isso, para ela, o painel foi tão inspirador. “Eu saio daqui muito feliz. Acho que são aprendizados que eu vou levar pro resto da vida.”

Leia mais no Misses at News.

👀 Do futebol à mídia líquida

Fest'Up 2026

Voltamos também com outras pautas na mochila. Carol Zaine, diretora da APP e fundadora da Unisports Lab, falou sobre uma pesquisa que acompanha há dois anos a relação das mulheres com o futebol. Um dado já dá uma ideia do tamanho do assunto: 77 milhões de brasileiras torcem por algum time — mas o mercado ainda costuma tratar o torcedor masculino como padrão. Para Carol, isso faz com que as marcas deixem de enxergar uma enorme parcela de consumidoras, tanto no futebol feminino quanto no masculino.

Márcio Zorzella, da I am Media e autor de “A mídia líquida”, com lançamento previsto para outubro, trouxe outra provocação: em meio a plataformas, algoritmos e automação, o profissional precisa voltar a pensar mídia, em vez de apenas operá-la.

E encontramos mais uma Miss no palco. Sindy Vieira, da OPL Digital, indicada por Dani Mozer para participar do Fest’Up, falou na trilha de Talento Humano sobre “As escolhas que constroem uma carreira”.

Tem mais? Tem. Lá no Misses at News.

🤖 E teve muito IAB também

IAB Adtech & Branding 2026

Antes do Fest’Up, passamos dois dias no IAB Adtech & Branding 2026, no Teatro Santander. De tudo o que vimos e ouvimos, selecionamos quatro movimentos para acompanhar de perto: creator economy e social commerce, agentes de IA, retail media e mensuração.

Eles estão reunidos em “Do retail media aos agentes de IA: 4 movimentos que marcaram o IAB Adtech & Branding 2026”, nosso balanço do evento.

E uma discussão ganhou matéria própria. No painel “Por que ainda estamos falando de liderança feminina em 2026?”, executivas discutiram o descompasso entre a forte presença das mulheres no mercado de comunicação e sua participação nos postos de comando — e o que ainda precisa mudar para que elas cheguem ao topo.

⚡ Curtinhas

Nem tudo da semana pede análise longa — mas algumas mudanças merecem entrar no radar:

📈 Publicidade cresce 15,8% – O mercado movimentou R$ 13,8 bilhões em compra de mídia no 1º semestre de 2026, alta de 15,8%, segundo o Cenp-Meios. E TV e internet estão praticamente empatadas na divisão da verba: 40,7% e 40,6%, respectivamente. (Meio & Mensagem)

💰 R$ 910 milhões em disputa – WMcCann, Nova e Ogilvy obtiveram as três maiores pontuações na concorrência pela conta publicitária da Petrobras. Se o resultado for mantido após a fase de contestações, as agências dividirão R$ 910 milhões em três anos. (Meio & Mensagem)

✊ Publicis entra no MOVER – O Publicis Groupe Brasil aderiu ao MOVER, coalizão empresarial pela equidade racial. A organização tem como meta contribuir para a formação de 10 mil lideranças negras e gerar 3 milhões de oportunidades até 2030. (Propmark)

📱 46 diretrizes para as redes – O CGI.br apresentou 46 diretrizes para plataformas de redes sociais. Para a publicidade, o documento aborda temas como uso de dados sensíveis, transparência de métricas e sistemas de recomendação. (Propmark)

🎶 Tiny Desk ganha novo patrocinador – O Itaú Live patrocina o novo ciclo do Tiny Desk Brasil, que começa nesta 3ª feira (22) e marca o primeiro aniversário da versão brasileira do projeto. (Propmark)

TROCA DE CRACHÁ (14/09 a 18/09)

Quem saiu, quem entrou, quem virou CEO às 9h de uma segunda-feira:

Agências

  • Galeria reorganiza a liderança: Ana Coutinho assume como CEO e sócia, no lugar de Eduardo Simon, agora chairman da Galeria Holding; Rafael Urenha passa a chairman criativo; Phil Daijó, a CCO; Márcio Rodrigues, a diretor-executivo de Estratégia; e Isabela Pazzetti, a diretora de Estratégia. (Propmark; Propmark — Estratégia)
  • BETC Havas contrata Vitor Kamada como chief media officer. (Propmark)
  • Dentsu Brasil promove Monique Ferreira a diretora executiva financeira. (Propmark; Meio & Mensagem)
  • Spark promove Gisele Pansera a managing director da operação dedicada ao Grupo L’Oréal, no Rio de Janeiro. (Propmark)
  • Talent contrata Eduardo Barreto como diretor-executivo de Estratégia e Dados. (Propmark)
  • AlmapBBDO lança a Praia, unidade de branding e design, liderada por Marcus Sulzbacher, CCO e cofundador, e Caroline Rua, diretora de Negócios e Projetos. (Propmark)
  • monkey-land contrata Gabriela Brigagão como head de Conteúdo. (Propmark; Meio & Mensagem)
  • Arc contrata Gabriella Copertino como supervisora de Estratégia e promove Laís Lacerda a gerente de Estratégia. (Propmark; Meio & Mensagem)
  • um.a promove Fernando Teixeira a diretor de Planejamento e Criação. (Meio & Mensagem)
  • Agência Desafio promove Ana Luisa Freire a head de Atendimento, Andréa Zanca a líder de Atendimento e Isadora Luz Belliboni a head de Performance. (Grandes Nomes da Propaganda)
  • LOI Global contrata Thalia Camacho para a frente de growth. (Meio & Mensagem)

Anunciantes

  • Decolar contrata Tariana Cruz como gerente sênior de Marketing. (Propmark; Meio & Mensagem)
  • Allianz Seguros anuncia Ana Quintela como superintendente de Marketing. (Propmark)
  • P&G Brasil promove Ana Carolina a VP global de Manufatura e Fernanda Cirino Montezzo a VP e general manager da P&G Health Brasil. (Meio & Mensagem)
  • MBRF Pet contrata Tatiana D’Alessio Sombra como gerente de Marketing. (Meio & Mensagem)
  • Ploomes anuncia Fernanda Lima como diretora de Marketing. (Baguete)
  • Avla promove André Andrade Santos a head global de Marketing e Thalita Camargo a head de Marketing da operação chilena. (Revista Apólice)
  • Karsten contrata Paula Blini, ex-Azzas 2154, como diretora da marca. (Sintex)
  • JDE Peet’s anuncia Renata Figueiredo como CMO para Brasil e América Latina. (Meio & Mensagem)
  • Ábaco Consulting promove Vitor Genaro a diretor Comercial. (Meio & Mensagem)
  • Black Skull contrata Ricardo Rinaldo como gerente de Marketing. (Mundo do Marketing)

Holdings

  • R/GA anuncia Sadie Thoma, ex-Google, como sua primeira chief business officer global. (Meio & Mensagem)

Produtoras

  • Sentimental Filme anuncia Flavia Zanini como co-COO, à frente das áreas de Operações e Produção de Publicidade e Conteúdo para Marcas. Ela assume em outubro. (Tela Viva)

Mídia

  • Times Brasil | CNBC anuncia Maurício Jacob como diretor Comercial. (Propmark)
  • All Set Media anuncia Susi Herdy como sócia e COO, responsável pela operação da empresa de retail media. (Propmark)

Fique ligado: esta seção é fixa. Teve movimentação ou sabe de um furo? Conta pra gente!

Mulherômetro

Porque o que não se mede não muda.

Semana

📊 Movimentações mapeadas: 31

👑 Mulheres em liderança: 20

👩‍💼 Participação feminina: 65%

Acumulado 2026

📊 Movimentações totais: 673

👑 Mulheres em liderança: 378

👩‍💼 Participação feminina: 56%

🔴 QUE CAMPANHA É ESSA?

A seção em que a gente olha pro mercado e pergunta: mas o que foi isso?

Campanha da Converse com Karina

Tem campanha que dá errado. E tem campanha que dá muito errado.

Pois a nova campanha global da Converse é daquelas que fazem a gente se perguntar: sério que não tinha uma alma na reunião de aprovação para olhar a imagem e perguntar “gente, que merda é essa?”.

A treta é uma referência visual nada sutil à Ku Klux Klan, que dispensa apresentações. Na imagem, a cantora sul-coreana Karina, líder do grupo de K-pop aespa e embaixadora global da Converse, aparece usando uma saia branca e segurando um par do Chuck 70 X, nova versão do clássico tênis da marca.

É o conjunto da obra que assusta. Um dos pontos do refletor em forma de estrela que ilumina a cena incide sobre a saia branca e cria uma forma triangular e pontuda, muito parecida com o capuz usado pela KKK. Ao lado, os tênis pretos que Karina segura pelos canos ficam pendurados como os pés de uma pessoa enforcada. A imagem de uma figura encapuzada ao lado de uma vítima de linchamento praticamente se monta sozinha. E foi assim que muita gente a enxergou. Veja a repercussão na Adweek.

E isso num momento especialmente sinistro nos Estados Unidos — e no mundo. Cerca de meia dúzia de pessoas negras foram encontradas enforcadas no Sul do país nos últimos dois anos. Várias mortes foram classificadas pelas autoridades como suicídio, conclusão contestada por familiares e ativistas em alguns casos. A sucessão de episódios levou quase 60 congressistas a pedir ao Departamento de Justiça uma investigação federal. Em agosto, Tasia Fortune, uma mulher negra de 29 anos, foi encontrada pendurada em uma árvore em Jackson, no Mississippi. Neste caso, a morte foi classificada como homicídio e um homem foi acusado de assassiná-la. Leia a reportagem da Associated Press sobre os casos.

E não dá para alegar falta de familiaridade com o assunto. A própria Converse afirma que diversidade, equidade e inclusão “não são apenas programas ou departamentos”, mas partes fundamentais de quem a empresa é. A marca mantém uma Converse Diversity Network e já usou a voz de funcionários negros para defender que não basta colocar pessoas diversas à mesa para cumprir uma cota: elas precisam ter voz e participar das discussões e decisões.

Também há investimento concreto por trás do discurso. Depois do assassinato de George Floyd, em 2020, a controladora Nike anunciou US$ 40 milhões em quatro anos, em nome de Nike, Jordan e Converse, para organizações dedicadas à justiça social, educação e combate à desigualdade racial nos Estados Unidos. A Converse também mantém iniciativas próprias voltadas à população negra. Ou seja: a estrutura existe, o discurso existe, o investimento existe. Mesmo assim, essa imagem passou. Veja o compromisso anunciado pela Nike.

A Converse tirou a peça do ar e pediu desculpas. Disse entender por que a imagem foi considerada “profundamente perturbadora”, reconheceu que errou e afirmou que aquilo não deveria ter acontecido. Mas não explicou como aconteceu. Questionada pela Associated Press sobre o processo de avaliação e aprovação da campanha, a empresa não respondeu. Leia a cobertura da AP sobre a campanha.

A imagem foi fotografada por Marloes Haarmans, fotógrafa e diretora de arte holandesa radicada em Londres. Os demais créditos criativos da peça não aparecem nas fontes que consultamos. O que a marca não respondeu: quem concebeu a campanha, quem fez a direção de arte, quem acompanhou a produção e, principalmente, quem aprovou?

E tem mais. Poucos dias depois, outra campanha da Converse, desta vez uma colaboração com a marca dinamarquesa Palmes, também entrou na discussão. Uma das imagens mostra um homem em uma escada junto a uma árvore, erguendo tênis na altura dos galhos. É outra campanha e outro produto. Mas, depois da peça com Karina, não é difícil entender por que a imagem também provocou associações com linchamentos. A Adweek investigou as duas campanhas e apontou um processo internacional fragmentado, com diferentes equipes e mercados envolvidos.

Moral da campanha: de boas intenções e relatórios de DEI, o inferno da publicidade está cheio.