Banner publicitário
Newsletter

Misses at Mail nº 22: A rebelião das IAs + WhatsApp mais caro + As pescadoras de Jeju

Olá, Misses!

A semana foi louca no mundo das IAs. Modelos de inteligência artificial conseguiram driblar barreiras de segurança, acessar a internet e alcançar sistemas externos durante testes internos de cibersegurança. O episódio, relatado pela própria OpenAI, mostrou que sistemas mais autônomos já são capazes de encontrar caminhos que nem seus desenvolvedores haviam previsto.

E isso acontece justamente num dos momentos mais tensos e propícios pra manipulações via IA: as eleições. Teremos pela frente semanas — se não meses — em que seremos bombardeadas por vídeos, áudios e imagens de candidatos. O horário eleitoral começou na sexta-feira, mas boa parte da campanha vai acontecer fora dele — nas redes, nos grupos de WhatsApp e naquele vídeo que chega encaminhado por alguém conhecido. Com deepfakes cada vez mais convincentes, já não basta ver com os próprios olhos.

Por isso, o Misses at News publicou um guia para ajudar a identificar sinais de manipulação e não cair tão fácil no próximo vídeo de gatinho fazendo karatê, ou de político fazendo o que quer que seja.

Nesta edição, trazemos também uma mudança importante para quem usa o WhatsApp do outro lado do balcão: a Meta vai alterar a cobrança do WhatsApp Business em outubro, e empresas que fizeram da plataforma seu principal canal de atendimento terão de rever fluxos e contas. Pode isso, Arnaldo?

E temos colunista nova! 💜 Soon Hee Han chega ao Misses trazendo uma trajetória que cruza Brasil, Coreia do Sul, França, pesquisa, empreendedorismo, beleza, bem-estar e saberes tradicionais. Na estreia, ela nos leva até Jeju, na Coreia do Sul, para conhecer as Haenyeo, mulheres que mergulham no mar sem cilindros de oxigênio e mantêm viva, há gerações, uma cultura construída em torno do trabalho, da autonomia feminina, da coletividade e da transmissão de conhecimento entre mulheres.

Então só vem! 💜

💬 Falou, pagou

Captura de tela de uma conversa comercial no WhatsApp Business, usada pela Meta para ilustrar recursos de atendimento a clientes

Exemplo de conversa comercial do WhatsApp Business, em imagem divulgada pela Meta

Quem transformou o WhatsApp em balcão, SAC, vendedor e pós-venda vai precisar refazer as contas.

A partir de 1º de outubro, a Meta passa a cobrar pelas mensagens de serviço enviadas pelas empresas dentro da janela de atendimento de 24 horas — hoje gratuitas. No Brasil, o valor de referência é de R$ 0,035 por mensagem enviada. As mensagens recebidas do cliente continuam sem cobrança.

Na prática, muda a matemática de operações inteiras. Quanto mais fragmentada a conversa, maior a conta: confirmação, endereço, link, resposta do bot, “posso ajudar em mais alguma coisa?” e até um simples “obrigada” passam a pesar no orçamento.

Também muda o roteiro. Empresas que fizeram do WhatsApp seu principal canal de atendimento terão de rever fluxos, automações e custos — e rápido. A nova cobrança começa justamente às vésperas da Black Friday e do Natal, quando o volume de conversas costuma disparar.

Quer saber quanto a mudança vai pesar no caixa? Simule aqui.

🤖 Skynet, é você?

Cena do filme O Exterminador do Futuro, usada como ilustração para a nota sobre o incidente envolvendo modelos de IA da OpenAI

Cena de “O Exterminador do Futuro”, filme Cena de O Exterminador do Futuro, em que uma IA chamada Skynet desencadeia uma guerra contra a humanidade | Reprodução

Parece começo de filme ruim de ficção científica, mas aconteceu de verdade. Durante avaliações internas de cibersegurança, modelos da OpenAI conseguiram driblar controles criados para mantê-los isolados, encontrar acesso à internet, se comunicar por canais não autorizados e chegar a sistemas externos, incluindo os da Hugging Face.

Segundo a própria empresa, o episódio foi provocado principalmente por um modelo de pesquisa interno, operando com salvaguardas reduzidas. Os agentes chegaram a transformar um gerenciador de pacotes em uma espécie de quadro de mensagens improvisado para trocar informações e encontraram maneiras de usar a infraestrutura disponível para chegar à internet.

A OpenAI classificou o incidente como um “warning shot” e anunciou reforço dos ambientes de teste, restrição de acesso à internet e mais monitoramento. A história toda está no relatório publicado pela empresa.

🌊 Mergulho de estreia

Temos colunista nova no Misses — e daquelas com muita história para contar. Soon Hee Han, cofundadora da Amakos da Amazônia e da Extraordinários Botanicals, estreia falando de trabalho feminino, liderança e redes de apoio a partir das Haenyeo, as tradicionais mergulhadoras da Ilha de Jeju, na Coreia do Sul.

As imagens que acompanham a coluna vêm da exposição “Sopro do Mar: Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade”, realizada pelo Centro Cultural Coreano no Brasil em parceria com o Jeju Haenyeo Museum. A mostra reuniu fotografias, vídeos, trajes e ferramentas usadas pelas mergulhadoras e ficou em cartaz gratuitamente até 30 de agosto, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Na coluna, Soon parte dessa tradição para falar de uma coisa bem contemporânea: a fantasia de dar conta de tudo sozinha e a importância das redes que sustentam quem precisa ir mais fundo.

👉 Leia aqui

⚡ Rapidinhas

Nem tudo da semana pede análise longa — mas algumas mudanças merecem entrar no radar:

  • 🛒 IA também virou vitrine — O uso do Gemini quase dobrou em seis meses no chamado AI shopping, enquanto o ChatGPT aparece como importante gerador de tráfego para marcas e varejistas. (Gazeta da Semana)
  • ✈️ Creator no roteiro — Turismo está colocando mais verba em redes sociais, creators locais e microinfluenciadores para influenciar escolha de destinos e compras. (Folha)
  • 👀 Big Tech sob vigilância — A ANPD passou a monitorar 22 plataformas, entre Instagram, TikTok, WhatsApp, ChatGPT e Meta AI, para verificar o cumprimento de regras de proteção a crianças e adolescentes. (UOL Tilt)
  • 🤖 Meta AI para os pequenos — A Meta anunciou novos recursos de IA para pequenas empresas, com integração a métricas de Facebook e Instagram, Meta Ads e Google Workspace. (Meta)
  • 🔐 Um bilhão com chave — O WhatsApp anunciou que mais de 1 bilhão de pessoas já usam passkeys e outros recursos de proteção de conta. (Meta)
  • 🏆 Quem influencia quem influencia — Deck e Nexus divulgaram uma lista com 30 profissionais influentes de comunicação e marketing no Brasil, com nomes como Ana Couto, Bia Granja e Camila Renaux. (Meio & Mensagem)
  • 🎨 Mais gente criando — A nova edição do CRIA, parceria Adobe + Senac, registrou crescimento de 51,7% nos projetos inscritos por estudantes. (AdNews)

💼 TROCA DE CRACHÁ (24/08 a 28/08)

Quem saiu, quem entrou, quem virou CEO às 9h de uma segunda-feira:

Agências

  • Alexandra Zagur chegou à Samba Ads 360 como diretora de Novos Negócios. (Meio & Mensagem)
  • Na Lola\TBWA, Murilo Melo e Pedro Araújo assumiram como CCOs e passaram a integrar o board. Leo Macias deixou o comando criativo brasileiro para atuar como creative advisor da TBWA Global. (Meio & Mensagem)
  • A PiaR Group contratou Ana Flávia Carrilo como head de Marketing e Danilo Lastrucci como head de Novos Negócios. Gabriela Calencautcy passou a liderar Projetos Especiais. (Meio & Mensagem)
  • Evelyn Silvestre e Carolina Gonçalves chegaram à Purpple como diretoras de Negócios. (Propmark)
  • Daniela Moura assumiu a diretoria de Mídia da Innocean Brasil. (Grandes Nomes da Propaganda)
  • Gaetano Del Gaiso chegou à MRM Brasil como Product Strategy Director. (Propmark)
  • Diogo Borges chegou à Publicis Brasil como diretor de Criação e Thiago Lopes, como diretor de Criação Associado. (Meio & Mensagem)
  • Felipe Drummond assumiu como head da nova frente de comunicação da Colírio, do Grupo QNCO. (Propmark)
  • Rodrigo Figueiredo passou a acumular a posição de CEO da Midst Group, que reúne Verbo Creative Intelligence, Savvi e Pro2B. (Meio & Mensagem)

Produtoras

Mídia, plataformas e tecnologia

  • Fabiana Zanni foi promovida pelo Google a diretora de Parcerias de Notícias para a América Latina. (Meio & Mensagem)
  • Renata Cho voltou à Wildlife Studios como diretora de Pessoas, Marca & Comunicação e Workplace. (Meio & Mensagem)
  • Na Webedia Brasil, Lucas Mendes foi promovido a diretor de Social e Camilo Martins chegou para comandar comercialmente a frente de gaming e esports. (Meio & Mensagem)
  • O Estadão contratou Silvia Barbieri como diretora de Vendas e Wagner Tirapani para liderar comercialmente tecnologia, varejo e educação. Bel Amaro assumiu a frente comercial de projetos de marketing de influência do Estadão Blue Studio Influency. (Meio & Mensagem)
  • Na CNN Brasil, Vanessa Gregoraci foi promovida a diretora Comercial e Sandra Stecca chegou para liderar Inteligência de Mercado. (Meio & Mensagem)
  • Ricardo Godoy assumiu como CEO da MADMIX, nova operação de CTV para Brasil, Estados Unidos e América Latina. (Grandes Nomes da Propaganda)

Anunciantes e negócios

  • Isabella Mulholland é a nova diretora de Marca da Natura Brasil. (Propmark)
  • Andrea Panisset assumiu a diretoria de Marketing da BeFly, em promoção interna. (Brasilturis)
  • Na Supergasbras, Rachel Risi assumiu a Diretoria de Planejamento, Marketing e Experiência do Cliente; Alessandro Falzetta passou para a Diretoria de Negócios. (Grandes Nomes da Propaganda)
  • Leonardo Rocha chegou à Neon como CMO. (Meio & Mensagem)
  • Eduardo Guedes assumiu a vice-presidência de Vendas e Marketing da Yduqs. (Meio & Mensagem)
  • Guilherme Moreno é o novo head de Marketing das marcas Oxford e Biona. (Meio & Mensagem)
  • A Belvo promoveu Rodrigo Franciscani a VP de Revenue para a América Latina. (Meio & Mensagem)
  • Gustavo Monteiro assumiu a presidência da Gigs para a América Latina. (Grandes Nomes da Propaganda)
  • Gabriel Fumagalli chegou à Atrio como diretor de Marketing. (Brasilturis)
  • Vitor Guimarães assumiu como head Comercial Enterprise da DPOnet. (Meio & Mensagem)
  • Fernando Ferroni, que liderava Vendas e Marketing, foi promovido a presidente da Royal Canin Brasil. (Meio & Mensagem)
  • Vinícius Melo assumiu a presidência nacional da AnaMid. (Meio & Mensagem)

Consultoria

  • Fabiana Falcone e Nelson Campelo lançaram a Synapser, consultoria de estratégia voltada a transformação e IA. (Meio & Mensagem)

Fique ligado: esta seção é fixa. Teve movimentação ou sabe de um furo? Conta pra gente!

* Erramos: na edição passada, Tatiana Mesquita, da Pampili, apareceu novamente no Troca de Crachá, embora a movimentação já tivesse sido publicada na edição anterior. Por isso, ela não deveria ter entrado na contagem da semana.

📊 Mulherômetro

Porque o que não se mede não muda.

Semana

📊 Movimentações mapeadas: 42
👩 Mulheres em liderança: 17
🏆 Participação feminina: 40%

Acumulado 2026

📊 Movimentações totais: 590
👩 Mulheres em liderança: 338
🏆 Participação feminina: 57%

Fique ligado: esta seção é fixa. Teve movimentação ou sabe de um furo? Conta pra gente!

🟢 QUE CAMPANHA É ESSA?

A seção em que a gente olha pro mercado e pergunta: mas o que foi isso?

Imagem da campanha do BuzzFeed com Obama à esquerda e Jordan Peele à direita, usada para ilustrar o debate sobre deepfakes

Imagem da campanha mostra, à esquerda, Obama e, à direita, Jordan Peele, no vídeo que ajudou a popularizar o debate sobre deepfakes | Reprodução

Isso já era discutido há oito anos, e mesmo assim aqui estamos. Em abril de 2018 — bem antes de “deepfake” virar pauta de temporada eleitoral —, o BuzzFeed se juntou a Jordan Peele (ele mesmo, o artista multifacetado diretor de Corra) e à Monkeypaw pra testar quão convincente a manipulação facial por IA já estava. O resultado foi um vídeo de aparência oficial em que “Obama” alertava sobre a era da desinformação, avisando pra gente não confiar em qualquer coisa que vê na internet — inclusive naquele próprio vídeo.

Peele gravou o áudio imitando o ex-presidente, uma IA colou a voz na boca de um Obama sintético, e só no final é que a máscara caía: quem estava falando o tempo todo era o próprio Peele, soltando um “essa é uma época perigosa” com a cara mais séria do mundo. Foi um dos primeiros deepfakes a viralizar fora de fóruns obscuros de internet — o tipo de coisa que ninguém àquela altura tinha visto saindo de uma ferramenta que qualquer produtora de conteúdo digital já conseguia operar.

Moral da campanha: quem vê cara não vê prompt.