Adeus, fogacho! Anvisa aprova novo medicamento não hormonal para menopausa
Fezolinetanto atua diretamente nos mecanismos cerebrais ligados aos fogachos e suores noturnos e amplia as opções terapêuticas para mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal
Calor repentino durante uma reunião. Noites interrompidas pelo suor. Cansaço acumulado pela falta de sono. Sintomas comuns da menopausa afetam milhões de mulheres e podem comprometer bem-estar, concentração e qualidade de vida.
Agora, uma nova alternativa de tratamento chega ao mercado brasileiro. A Anvisa aprovou o fezolinetanto, medicamento não hormonal indicado para reduzir ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa.
Comercializado sob o nome Veoza, o remédio surge como alternativa para pacientes que não podem ou preferem não recorrer à terapia hormonal tradicional. A expectativa é ampliar as possibilidades de tratamento para um grupo de mulheres que frequentemente convive com sintomas capazes de afetar sono, bem-estar e rotina profissional.
Segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, a aprovação representa um avanço importante, mas não elimina a necessidade de acompanhamento médico.
“É uma nova rota de cuidado para mulheres que sofrem com fogachos e suores noturnos. Mas não deve ser tratado como solução universal. A menopausa exige avaliação clínica, escuta e indicação precisa”, afirma.
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Como funciona
Diferentemente da terapia hormonal, o fezolinetanto não repõe estrogênio ou progesterona.
O medicamento atua no sistema nervoso central, bloqueando seletivamente o receptor NK3, envolvido na regulação da temperatura corporal. Durante a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio altera esse mecanismo e pode provocar episódios frequentes de calor repentino e transpiração excessiva.
A ação ocorre sobre a sinalização da neurocinina B, substância relacionada aos chamados neurônios KNDy, localizados no hipotálamo, região do cérebro responsável por controlar, entre outras funções, a temperatura do corpo.
Na prática, o objetivo é reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos, sintomas que estão entre as principais queixas de mulheres no climatério.
O que mostram os estudos
A aprovação foi baseada em estudos clínicos de fase 3 que reuniram mais de 3 mil participantes.
De acordo com os dados apresentados pelos pesquisadores, mulheres que utilizaram a dose diária de 45 mg registraram redução de até 64% na frequência dos sintomas vasomotores após 12 semanas de tratamento. Os resultados também indicaram melhora já nos primeiros dias de uso.
Além da diminuição dos episódios de calor e suor, os estudos apontaram impactos positivos na qualidade do sono, nas atividades diárias e na produtividade.
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Para especialistas, esses ganhos ajudam a trazer mais atenção para um tema que ainda costuma ser tratado como parte inevitável do envelhecimento feminino.
“Quando uma mulher deixa de dormir por causa dos suores noturnos, ela não perde apenas horas de descanso. Ela perde disposição, memória, desempenho profissional e estabilidade emocional”, afirma Fabiane.
Um tratamento para cada uma
Apesar da novidade, a médica ressalta que o medicamento não é indicado para todas as pacientes.
A escolha do tratamento deve levar em conta fatores como histórico de saúde, intensidade dos sintomas, exames, uso de outros medicamentos e possíveis contraindicações.
Entre as restrições estão casos de hipersensibilidade ao princípio ativo, gravidez e uso concomitante de medicamentos que interferem na enzima CYP1A2, como a fluvoxamina.
Os efeitos adversos mais frequentemente observados nos estudos foram diarreia e insônia.
Para a especialista, a chegada do fezolinetanto também ajuda a ampliar a discussão sobre saúde feminina em uma fase da vida que ainda enfrenta desinformação e falta de acompanhamento adequado.
“A aprovação amplia as possibilidades terapêuticas, mas não substitui a consulta médica nem autoriza a automedicação. Cada mulher precisa de uma avaliação individualizada para definir a melhor estratégia de cuidado”, conclui.





