Como a DZ Estúdio transformou ESG de ‘discurso vazio’ em realidade (e faturamento)
Conheça os bastidores da agência que transformou pautas de DE&I em cultura real, alcançou metas robustas de representatividade e ligou o turbo na segurança psicológica do time
Se você trabalha com comunicação, já deve ter cansado de ver agência surfando na onda do discurso bonito de diversidade, mas que na prática não sustenta uma mesa de liderança plural.
Fora do eixo Rio-SP, lá em Porto Alegre, a DZ Estúdio resolveu fazer o caminho inverso: botar o papo no papel e as metas na planilha.
Com 21 anos de mercado e clientes como L’Oréal, Unilever, Grendene Kids, Sicredi e Grupo Bimbo, a agência acabou de lançar seu primeiro Relatório de Impacto ESG (2023–2025).
E os números são daqueles de dar orgulho: bateram 62,5% das metas e 81,8% do plano de ação. Na prática? Zero disparidade salarial entre gêneros, clima organizacional acima de 80% entre mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, e 29% de pessoas negras no time (com mais pretos e pretas liderando).
Para entender como essa engrenagem funciona sem mimimi, batemos um papo reto com a Aline Bohn, Head de Pessoas, Cultura e Impacto da DZ. Vem ver os melhores momentos dessa conversa:
Misses at News: Aline, em que momento caiu a ficha de que diversidade não era só uma “ação de RH”, mas parte do core da agência?
Aline Bohn: Quando cheguei aqui, há sete anos, o time já tinha um desejo genuíno de debater pautas LGBTQIAPN+. Mas a gente entendeu que, se quiséssemos maturidade nas entregas e na cultura, precisávamos estruturar isso. O primeiro passo foi entrar no Pride Connection (rede de empresas micro e macro para debater políticas afirmativas). Foi ali que começamos a entender que diversidade, equidade e inclusão não eram satélites, eram o norte.
E o que mudou no dia a dia da operação quando as metas viraram oficiais?
Aline: O amadurecimento e, principalmente, a segurança psicológica. Criamos o coletivo Diversidadz, que acolhe a galera e funciona como um comitê consultivo interno. Hoje, as pessoas se sentem seguras para propor e criar. E isso transborda: a nossa diversidade virou nossa marca empregadora e nos ajuda a trazer repertórios muito mais ricos para os clientes. Spoiler: a nossa maturidade em DE&I nos ajudou a fechar novos negócios, como a conta de comunicação interna de diversidade da Pluxee. Sim, impacto dá lucro.
O mercado publicitário adora um discurso lindo no Cannes Lions, mas peca na execução. Qual foi o maior perrengue para tirar o ESG do papel?
Aline: Manter isso como prioridade sendo uma agência independente de médio porte. Em momentos de crise ou correria, é muito fácil jogar o ESG para escanteio e focar só no faturamento. Nós escolhemos o caminho mais difícil: o da consistência. Traçamos metas duras há três anos e agora estamos renovando o ciclo. Além disso, o desafio é levar essa conversa para o cliente. Nem sempre o mercado está no mesmo ritmo ou maturidade que a gente gostaria, mas a gente cutuca assim mesmo.
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A DZ tem projetos lindos como o Rumos Mais Pretos (em parceria com a UFRGS) e foco pesado em saúde mental. Qual é o papel real das lideranças nisso tudo?
Aline: Liderar não é apoiar a pauta no LinkedIn, é gerenciar o dia a dia com equidade. A gente precisa lembrar que diversidade sem olhar para recortes de raça e classe é incompleta. As lideranças precisam estar preparadas para enxergar caminhos diferentes de crescimento para pessoas diferentes. Por isso, no nosso ciclo de metas 2026-2028, o foco total é capacitar essas lideranças para uma gestão cada vez mais intencional e inclusiva.
Para fechar: quais são os próximos passos da DZ e o que o mercado publicitário ainda está fingindo que não vê?
Aline: Na DZ, o foco agora é desenvolvimento individual (revisando 1:1s, rituais) e aceleração de carreiras de mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+.
Já sobre o mercado… Precisamos de comprometimento real a longo prazo, porque o que mais vemos por aí são retrocessos em discussões que já pareciam ganhas. Outro ponto cego gigante é a acessibilidade: onde estão as pessoas com deficiência (PcD) nas campanhas e nas agências? O marketing e as agências precisam parar de ignorar fatias enormes de consumidores. E, claro, a mudança estrutural só acontece quando tivermos essa pluralidade ocupando as cadeiras de tomada de decisão, na liderança executiva. É lá que o jogo muda.

