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Pitch de vendas não convence ninguém de nada

Saiba como fazer as perguntas certas e transformar reuniões comerciais em negócios reais

É um fato bem conhecido pela psicologia que informação – dados, pesquisas, medições – não faz ninguém mudar de ideia. Quando encaramos de frente provas concretas e irrefutáveis de que alguma ideia solidamente enraizada na nossa mente está errada, nossa tendência é questionar as provas, e não mudar de ideia.

Não é apenas que sejamos impermeáveis a essas evidências – atuamos ativamente contra os fatos, buscamos grupos que pensam igual, fazemos abaixo-assinados, participamos de passeatas, nos candidatamos à Câmara dos Deputados. Então, como fazer alguém mudar de ideia ou de comportamento?

A pergunta é fundamental para políticos, publicitários, educadores, técnicos esportivos, líderes empresariais e todo mundo que precisa fazer uma pessoa – ou um conjunto de pessoas – mudar de ideia. Mas vou me concentrar em vendedores, que é o segmento que eu acompanho e conheço bem.

Por que o pitch de vendas não funciona

Primeira conclusão bombástica: “pitch” de vendas não convence ninguém de nada, não importa o quão eloquente, charmosa, empolgada ou mentirosa seja a pessoa vendedora.

Quando perguntaram sua opinião sobre a cena do filme “O Lobo de Wall Street” na qual o personagem principal pede a um colega “me venda essa caneta”, o verdadeiro lobo de Wall Street Jordan Belfort afirmou na lata que a cena estava errada.

O correto seria, segundo Belfort, começar fazendo perguntas para entender as dores do cliente:

Você usa caneta?

Que tipo de caneta você usa?

Para que você usa sua caneta?

Quais atributos a caneta ideal deve ter?

Uma vez entendido o contexto, a pessoa de vendas vai apresentar a caneta de uma maneira que atenda demandas, expectativas, aspirações do cliente. Não vai fazer o cliente mudar de ideia, vai aproveitar o modelo mental do cliente, suas formas arraigadas de sentir e pensar, para vender sua caneta.

Quem faz a pergunta manda na conversa

Outra razão para fazer perguntas é que a gente toma as rédeas da conversa. Quando a gente começa a falar do nosso produto que nem uma matraca, estamos terceirizando para o cliente a tarefa de encontrar um uso para o nosso produto no dia a dia dele (ou dela).

Fazia sentido para o vendedor porta a porta que apresentava um aspirador de pó – o caso de uso era muito fácil de demonstrar, tátil, concreto. No nosso tempo a gente vende coisas intangíveis, que muitas vezes o cliente ainda não sabe que precisa.

Se o cliente estava num dia ruim, a conexão do call era uma porcaria, o santo não bateu… o cliente vai fazer de conta que ouviu toda a nossa lenga-lenga e dizer que não precisa, não vê valor ou simplesmente não tem dinheiro.

Esse “não” do cliente é conhecido na terminologia de vendas como “objeção”, e existem muitos livros sobre como superar objeções. Eu li vários, para que você não precise ler, e vou resumir a ideia central: objeção é uma merda.

A gente trabalha para não ouvir objeções porque quando elas aparecem não existem dados, pesquisas ou medições que façam a pessoa mudar de ideia (ver primeiro parágrafo).

Para evitar objeções, a gente começa a conversa fazendo perguntas. Perguntando, vamos entendendo o mercado daquela empresa, o momento do produto, a concorrência, os KPIs relevantes.

Quando tudo isso está claro, podemos apresentar nosso produto como a solução correta para o problema que foi identificado. Nessas condições, a venda fica quase obrigatória.

Objeção não é obstáculo — é sinal de que você começou errado

Vou te dar um exemplo bobo. O sujeito está com dor de cabeça, entra na farmácia e pede um analgésico. O farmacêutico vai na prateleira, pega o analgésico e oferece ao cliente necessitado. O cliente vira as costas e vai embora? Parece coisa de louco.

Quando a dor é explicitada, e alguém oferece a solução correta para aquela dor, não tem como não acontecer a venda.

Mas atenção: a pessoa compradora explicitar a dor é muito importante. Ninguém gosta de vendedor que aparece do nada apontando problema pra todo lado. Aliás, vira e mexe eu recebo uma mensagem dessas no LinkedIn:

Mesmo sabendo que é um robô, me irrita. Quem é essa fofa que eu nunca vi na vida pra me dizer que eu tenho algum problema – ou “desafio”? Para vendedores, passar a imagem de arrogante ou sabe-tudo é um pecado grave.

Para terminar, uma última razão para fazer uma reunião de vendas baseada em perguntas: é mais legal. O cliente está mais engajado – afinal, está respondendo perguntas e não apenas fazendo de conta que está prestando atenção na nossa ladainha.

Além disso, o cliente está falando, e todo mundo gosta de falar. Ao final da reunião, pode ser que não dê negócio, mas vai ter sido uma reunião positiva, não uma malhação insuportável. Suas portas estarão abertas.

As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.


Enor Paiano

Pioneiro da internet brasileira e experiente gestor de equipes de vendas, dirige a MidiaBizz, consultoria de RH focada no mercado de mídia.

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