Quando uma “gótica suave” dos anos 90 vira colunista de mídia, dados e até IA
Se você espera uma colunista que cabe em padrões: essa não sou eu; aqui vamos quebrar padrões e debater o que importa
Se você espera uma colunista que acorda às 5h da manhã para meditar, que faz pilates e que cabe em padrões, sinto informar: essa não sou eu.
Eu sou a que ama vinho, maratona sci‑fi, menopáusica, uma nerd frustrada que ama tecnologia (sem saber escrever um código sequer), vive meio “presa” nos anos 80/90 morando numa casa “vintage” recheada de coleções de caveiras , e ainda assim, há quase 20 anos trabalha para que o futuro da mídia digital seja mais divertido, inteligente, mais ético e um pouco mais humano.
E-prazer, sou a Dani Mozer, publicitária de coração, DPO por convicção, mãe orgulhosa de um engenheiro de dados (sim, pari meu próprio “dream data team”) e tutora de três dogs SRD resgatados, que são meu comitê caseiro de bem-estar emocional, além de cofundadora do coletivo Misses at Work.
Chego ao Misses at News como colunista — além de estar mais imersa no Misses do que uma coluna possa transparecer —, mas também como alguém que já viveu muitas vidas dentro do mesmo mercado: comercial em SaaS, atendimento em agência, comercial em publisher, arriscando em produto, empreendedora, professora, builder de operação e eterna aprendiz.
Do banner 120×60 à IA generativa
Entrei em tecnologia em 1997, no varejo de hardware, e caí de cabeça no mercado publicitário em 2005, quando vender mídia online ainda significava explicar o que era um banner e por que o anunciante precisava de um plano digital.
Passei por operações como QuestManager, Estadão, ZAP, Limão, Rolling Stone Brasil e Apontador Maplink, ajudando a desenhar e escalar o negócio digital quando quase tudo ainda era meio mato.
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Depois vieram os anos de construção de coisa nova mesmo: co‑fundar e pilotar a ADMAG, primeira adnetwork de revistas mobile do mercado, quando falar de InApp e HTML5 era quase ciência de foguete.
Encabeçar o spin‑off da operação ADMAG dentro da Hands Mobile, após diluir da Zenvia, colaborando na ideação de produtos de mídia, métricas, formatos nativos e projetos de conteúdo quando mobile ainda era o primo esquisito da mídia digital.
Nessas, até aula de pós em Mobile Marketing eu dei, mesmo com zero formação na área, simplesmente porque não existia a disciplina no meio acadêmico…
Toquei áreas de negócios em empresas como MarketUP, Ad3Plus e Positivo Ads, sempre com um pé em dados, privacidade e modelos de monetização mais justos para publishers.
Puxadas de tapete e resultados reais
Empreender sendo mulher no digital não foi suave (e ainda não é): foi cada puxada de tapete, cada espólio de ideias e projetos da minha propriedade, só que, como todas nós, supero e fico mais aguerrida, levando como lições cravadas entre o complexo equilíbrio entre jornadas múltiplas e o job e metas.
A parte bonita da história é que hoje assino como fundadora e CEO da Content Lovers, uma content tech focada em brand storytelling, que produz, planeja e distribui conteúdo de marcas que querem conversar de verdade com gente de verdade.
Esse meu caminho foi pavimentado no meio de um mercado ainda profundamente masculino, hierárquico e, muitas vezes, pouco preparado pra lidar com liderança feminina que não pede licença para existir.
Antes da Content Lovers, co‑fundar operações como ADMAG e 4Ads significou, muitas vezes, entrar em salas onde eu era a única mulher, discutindo tecnologia, dados e faturamento, enquanto ainda havia “sócios” do meu talento me tratando como “funcionária” no destalento deles…
Sim, eu ri de nervoso várias vezes, e até me calei em muitas. E continuei. Porque a melhor resposta, pra mim, sempre foi resultado, e hoje fazer o que amo e acredito é uma das melhores coisas da minha vida.
Em 2018, essa inquietação ganhou forma no meu (nosso) maior projeto e missão de vida: o Misses at Work.
A força da comunidade
O que começou como um grupo de WhatsApp virou a maior comunidade feminina do mercado de comunicação e publicidade, uma plataforma viva de networking, trade, acolhimento e sororidade real — formato beta contínuo, como tudo que importa.
E então eu conheci a real e verdadeira sociedade com a Kika Pontes. E agora chegou Cathy Birle que assumiu eventos e parcerias, e Danae Stephan no editorial – que também é minha parceira no lab de conteúdo da Content Lovers. Somos sim uma “feminaria”, sem ressalvas.
Entretanto o que vamos entregar no Misses at News não agrega somente esse teor, afinal minha visão de Mundo não é exclusiva, somos plurais: queremos trazer visões de equidade que se expandem aos aliados, mulheres, homens e +.
Entre dados, privacidade e storytelling
Com o passar dos anos, fui me apaixonando por um tema que muita gente prefere evitar: privacidade de dados, me formando Data Protection Officer em 2021.
E de novo fui uma das primeiras profissionais no Brasil a trabalhar com algo inédito: marketing com foco em privacidade, pilotando o comercial em empresas como Privacy Tools e ajudando a desenhar processos de LGPD que não matassem o negócio, mas educassem o mercado.
Confesso que é chato à beça! E voltei pro meu aconchego logo após 1 anos nisso, mas transferindo a expertise pra tudo a partir daí.
Hoje, na Content Lovers, minha cabeça está sempre nesse meio‑campo: como contar boas histórias de marca, como novas tecnologias são e serão relevantes, e ainda respeitando a privacidade das pessoas, gerando KPIs claros pra agências e anunciantes, cooptando investimento e rampando mais tecnologia.
É caos? Um pouco. É fascinante? Sou eu novamente, com um facão abrindo trilhas? Totalmente.
E o que eu venho fazer aqui no Misses at News?
Aqui vou juntar todas as minhas versões:
A executiva de mídia e bizdev que já negociou com centenas de publishers e anunciantes.
A empreendedora que fundou uma content tech e já sentiu na pele o peso de ser mulher liderando tecnologia num mercado sexista.
A DPO e profissional de PrivacyUX que acredita que dá pra fazer marketing sem atropelar direitos.
>A mãe, vinólatra, fã de sci‑fi e gótica suave que ainda se emociona com um bom case, uma automação bem executada (pela Kika) e um anúncio que respeita a inteligência de quem vê.
Vou escrever sobre mídia, dados, privacidade, IA, branded content, publishing, carreira e bastidores do mercado (pois disso sei um bocado), sempre com o filtro que eu conheço melhor: o da prática.
Meu compromisso com você aqui é simples: nada de buzzword vazia, nada de fórmula mágica, nada de “só seguir 3 passos”, apesar de eu gostar de sínteses.
Quero falar como a gente fala no corredor, no café, no pós‑evento, no último meet da sexta, já com a taça de garnacha do lado do mouse — só que com o cuidado de quem sabe que palavra também é ferramenta política e que não estou livre (ainda) do julgamento sexista embrenhado no status quo do nosso setor.
Se você chegou até aqui, puxa a cadeira, serve uma taça (ou um café bem forte) e fica.
Vai ser um prazer dividir essa coluna com quem também acredita que comunicação boa é aquela que transforma — marca, mercado e, principalmente, gente, mulheres e homens aliados.
As manifestações, opiniões e interpretações contidas neste conteúdo são de exclusiva responsabilidade do autor, não representando o entendimento, posicionamento ou linha editorial do Misses At Work e/ou do Misses At News.
