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Tem vaga no agro: marketing, comunicação e dados ganham espaço no setor

Curso da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro, em parceria com a ESPM, prepara profissionais para atuar em um setor com linguagem, públicos e oportunidades próprias

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Trabalhar no agronegócio não significa necessariamente entender de plantio, máquinas ou manejo de animais. À medida que o setor incorpora tecnologia, amplia sua presença digital e tenta se relacionar melhor com produtores e consumidores, também cresce a necessidade de profissionais de marketing, comunicação, branding, conteúdo e inteligência de mercado.

As oportunidades estão em indústrias, cooperativas, agtechs, empresas de tecnologia, instituições financeiras, veículos especializados, eventos e agências. Há demanda tanto para falar com o produtor rural quanto para construir marcas, administrar reputações, apresentar inovações e aproximar o agro do público urbano.

É um mercado que movimenta públicos muito diferentes. Uma mesma cadeia pode envolver produtores, técnicos, revendedores, distribuidores, cooperativas, indústrias, investidores e consumidores. Cada grupo tem necessidades, repertórios e processos de decisão próprios.

Por isso, a experiência adquirida em outros setores pode ajudar, mas não resolve tudo. Para trabalhar com o agro, é preciso entender diferenças regionais, ciclos produtivos, relações de confiança e canais de informação que não seguem necessariamente a lógica dos grandes centros.

Para além da publicidade

As possibilidades não se limitam à criação de campanhas. Empresas do setor precisam de profissionais capazes de interpretar dados, acompanhar mudanças no comportamento do produtor, produzir conteúdo técnico acessível e transformar produtos complexos em propostas compreensíveis.

Entre as frentes que podem absorver profissionais de comunicação e marketing estão:

  • planejamento e posicionamento de marcas;
  • comunicação corporativa e reputação;
  • produção de conteúdo técnico e institucional;
  • inteligência de mercado e comportamento do consumidor;
  • mídia e relacionamento com veículos especializados;
  • eventos, feiras e ativações;
  • marketing digital e gestão de comunidades;
  • comunicação de inovação, tecnologia e sustentabilidade.

As fronteiras entre essas áreas também estão menos rígidas. Uma agtech, por exemplo, pode precisar simultaneamente educar o mercado, explicar uma solução tecnológica, conquistar a confiança do produtor e demonstrar resultados para investidores.

As empresas tradicionais enfrentam outros desafios: atualizar marcas, conversar com novas gerações, melhorar a comunicação fora do setor e responder a questionamentos sobre sustentabilidade, impacto ambiental e responsabilidade social.

Público heterogêneo

Um dos primeiros erros de quem chega ao mercado é tratar “o produtor rural” como um público único. O perfil, as necessidades e os hábitos de informação mudam conforme a região, o tamanho da propriedade, a atividade produtiva e o nível de acesso à tecnologia.

A Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, realizada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), mostra a dimensão dessa diversidade. A oitava edição ouviu produtores de 16 estados e investigou centenas de aspectos relacionados a mídia, consumo, tecnologia e gestão das propriedades.

Os dados históricos da associação também mostram que a internet avançou entre os meios usados pelos produtores, enquanto televisão e rádio continuaram relevantes. Isso exige estratégias que combinem plataformas digitais, veículos tradicionais, canais especializados e relações presenciais — em vez de simplesmente reproduzir planos de mídia pensados para consumidores urbanos.

A confiança também ocupa um lugar central. Em muitos segmentos, a decisão de compra passa por agrônomos, veterinários, cooperativas, revendas, consultores e outros profissionais próximos à operação. A comunicação precisa circular por essa rede, e não apenas alcançar quem administra a propriedade.

Formação específica

É nesse contexto que a ABMRA abriu inscrições para a terceira edição do curso Marketing Estratégico para o Agronegócio, realizado em parceria com a ESPM.

A formação é destinada a quem já trabalha no setor e a profissionais interessados em ingressar nesse mercado. O programa terá oito aulas ao vivo e online, com início em 27 de agosto e carga horária total de 24 horas.

O conteúdo inclui planejamento estratégico, construção de marcas, tendências, ESG, inteligência de mercado, inovação, tecnologia, comunicação e comportamento do consumidor. Os participantes também desenvolverão trabalhos práticos, apresentados a uma banca formada por professores da ESPM e convidados da ABMRA.

Segundo Débora Basso, diretora do projeto Academia ABMRA, o agronegócio tem dinâmicas e públicos específicos, o que exige uma formação capaz de aproximar conceitos de marketing da realidade do setor.

“O agronegócio possui dinâmicas próprias e um público com comportamentos e necessidades bastante específicos. Por isso, um curso desenvolvido com esse olhar torna-se essencial para gerar diferenciação, relevância e aplicação prática no setor”, afirma.

As duas primeiras edições do curso foram realizadas em 2025, segundo o relatório de atividades da ABMRA.

Repertório de fora ajuda

Conhecer o agro é importante, mas isso não significa que as empresas procurem apenas pessoas que construíram toda a carreira no setor.

Profissionais vindos de tecnologia, varejo, finanças, bens de consumo, mídia ou comunicação corporativa podem trazer repertório sobre experiência do cliente, dados, conteúdo, transformação digital e construção de marca.

A dificuldade está em evitar soluções prontas. Uma estratégia que funcionou para um aplicativo urbano ou uma marca de consumo não pode ser simplesmente transportada para um público cuja rotina, decisão de compra e relação com o negócio seguem outros tempos.

A formação específica pode encurtar esse caminho, mas a entrada no mercado também exige acompanhar veículos especializados, conhecer feiras e eventos, observar diferentes cadeias produtivas e conversar com quem trabalha no campo.

Comunicação em disputa

Além de vender produtos e serviços, o agronegócio enfrenta uma disputa permanente de imagem. Segundo a oitava Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, 54% dos entrevistados consideravam regular ou péssima a imagem dos produtores perante a sociedade.

Esse distanciamento ajuda a explicar o investimento em campanhas institucionais, projetos de reputação e iniciativas para aproximar o setor dos consumidores. Também abre espaço para profissionais capazes de construir narrativas menos genéricas e mais transparentes sobre produção, inovação, impactos e sustentabilidade.

A comunicação do agro ainda recorre com frequência a imagens previsíveis de lavouras, máquinas, famílias e pôr do sol. O desafio para marcas e agências é encontrar formas mais contemporâneas de falar sobre o setor sem perder a conexão com quem vive sua realidade.

Para quem trabalha com marketing, conteúdo, dados ou reputação, esse cenário representa uma possibilidade de carreira — mas também exige disposição para conhecer um mercado que não cabe em uma única campanha.

Esta reportagem inaugura uma série do Misses at News sobre marketing, comunicação e oportunidades profissionais no agronegócio.

Serviço

Curso: Marketing Estratégico para o Agronegócio

Realização: ABMRA e ESPM

Início: 27 de agosto

Formato: online, com aulas ao vivo

Horário: quintas-feiras, das 19h30 às 22h30

Carga horária: 24 horas

Término: 15 de outubro

Investimento: R$ 2.640 à vista no boleto, Pix ou débito, ou em até 10 vezes no cartão de crédito

Pagamento por boleto: disponível para matrículas realizadas até cinco dias antes do início do curso

Inscrições: até 26 de agosto, no site da ESPM

Conteúdo das aulas: disponível na página do curso

 

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Foto de Danae Stephan

Danae Stephan

Editora, produtora, leitora compulsiva e inimiga do lugar-comum há mais de 30 anos. Hoje à frente do "Misses at News", já passou por "Folha de S.Paulo", Editora Abril, Editora Globo, "UOL" e "Glamurama", entre outros.

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