Misses at Mail nº 13: CazéTV e as bets + Cannes e IA + Futebol e a violência contra a mulher
Olá, Misses!
A Copa continua sendo um dos maiores laboratórios de comunicação do mundo. Enquanto dentro de campo o roteiro nem sempre surpreende, fora dele as marcas, plataformas e criadores seguem mostrando como o marketing esportivo está mudando.
Nesta edição, falamos das lições que vêm surgindo nas ativações da Copa, da polêmica envolvendo a CazéTV e as bets, de um Cannes que parece recolocar a criatividade no centro da conversa e dos números que mostram o avanço acelerado do OOH.
Ah, e destacamos nosso primeiro Horóscopo das Misses! Uma homenagem bem-humorada a todos as misses no Dia do Mídia.
Boa leitura 💜
🎬 Criatividade x IA

Quem acompanha Cannes há alguns anos provavelmente percebeu a mudança de tom. Se em 2024 e 2025 praticamente todo painel terminava em IA, nesta edição a conversa parece ter amadurecido.
A tecnologia continua presente — e ninguém discute mais se ela vai mudar a indústria. A questão agora é outra: o que as marcas fazem com ela.
Criatividade, repertório, estratégia e impacto voltaram a ganhar espaço nas conversas. Executivos também falaram bastante sobre um desafio que vem crescendo para praticamente todas as marcas: a dificuldade de conquistar atenção em um cenário em que conteúdo virou abundância. Um estudo da Havas apresentado durante o festival mostra que 84% das marcas enfrentam a indiferença dos consumidores.
No fim, Cannes está reforçando uma ideia óbvia: ferramenta todo mundo pode usar. Mas ideia boa continua sendo mais difícil de copiar.
⚽ Aula de Copa
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Enquanto muita marca ainda pensa em patrocínio como exposição, algumas campanhas desta Copa estão mostrando que relevância se constrói de outras formas. Em um post publicado nesta semana, a APP reuniu alguns dos aprendizados que já dá para tirar da competição. Entre eles:
- Creators e segunda tela: a audiência já não acompanha o jogo apenas pela transmissão oficial. Criadores de conteúdo ganharam protagonismo, enquanto marcas buscam participar das conversas em tempo real.
- Experiências “phygital”: mais do que anunciar, marcas passaram a criar espaços para assistir aos jogos. As watch parties da Hisense mostram como experiências presenciais e digitais podem trabalhar juntas.
- Impacto visual: ações de grande escala, como shows de drones e intervenções urbanas, transformaram o espaço físico em mídia espontânea e altamente compartilhável.
- Marcas não endêmicas: a Copa deixou de ser território exclusivo de empresas ligadas ao esporte. De Lego a tequila, diferentes segmentos encontraram maneiras relevantes de participar da conversa.
- Marketing de contexto: campanhas rápidas, conectadas ao momento e ao comportamento do público, continuam mostrando que timing pode valer tanto quanto investimento.
O conteúdo completo está no Instagram da APP e reúne bons exemplos para acompanhar como as marcas estão usando a Copa para experimentar novas formas de comunicação.
🚩 Bola fora, bola dentro

Casimiro Miguel e Luis Felipe Freitas durante transmissão da CazéTV | Reprodução
A investigação aberta pela Senacon sobre a publicidade de apostas durante as transmissões da CazéTV colocou em pauta um debate que interessa a qualquer marca construída em torno da autenticidade.
Desde seu início, a CazéTV se apresentou como uma alternativa ao modelo tradicional das emissoras esportivas. Uma linguagem mais próxima da audiência, menos formalidade, mais internet e a promessa de fazer diferente. Foi justamente essa identidade que tornou a reação do público tão intensa quando narradores e comentaristas passaram a sugerir apostas ao vivo durante as partidas.
A discussão passou a envolver credibilidade, coerência e os limites entre conteúdo e publicidade. A primeira resposta da CazéTV foi afirmar que todas as ações estavam dentro das regras. Tecnicamente, podem até estar. Mas a repercussão mostrou que cumprir a lei nem sempre basta quando a percepção do público é outra. Dias depois, o formato mudou: as recomendações de odds deixaram de integrar a narração.
A situação levanta uma reflexão interessante para qualquer marca que nasce com discurso de ruptura: existe um momento em que toda empresa “disruptiva” deixa de desafiar o sistema e passa a fazer parte dele. Talvez a CazéTV tenha encontrado esse momento nesta Copa.
E você, Miss, o que acha? A reação foi exagerada ou a audiência tem razão em cobrar coerência justamente de quem sempre prometeu fazer diferente?
📈 Mudança de rota

Enquanto boa parte das discussões sobre o destino da verba publicitária continua concentrada nas plataformas digitais, outro meio segue ganhando espaço nessa divisão.
Dados do Cenp, analisados pelo portal Publicitando e compartilhados pela APP, mostram que o OOH atingiu participação recorde e vem crescendo acima da média do mercado publicitário brasileiro.
O movimento ajuda a explicar por que tantas marcas voltaram a investir em mídia exterior — agora muito mais integrada a estratégias digitais, dados e geolocalização do que aos antigos outdoors estáticos.
Faz cara de conteúdo
Entre os destaques da semana, análises de mercado e novos textos dos nossos colunistas:
🌡️ Adeus, fogacho!

Imagem gerada por IA
A Anvisa aprovou o primeiro remédio não hormonal para aliviar ondas de calor e suores noturnos da menopausa. Entenda como ele funciona, para quem é indicado e quais cuidados exige.
🌈 Trabalho x saúde mental

Imagem gerada por AI
Um estudo inédito revela como discriminação, invisibilidade e falta de acolhimento ainda afetam o bem-estar da população LGBTQIAPN+ no Brasil — dentro e fora do ambiente de trabalho.
🔬 Coisa de mulher

Programa em Campinas está ajudando pesquisadoras a transformar projetos científicos em negócios de alto impacto. A iniciativa aproxima mais mulheres do universo das deep techs.
🔮 Conjunção astral

Imagem gerada por IA
Em comemoração ao Dia do Mídia, publicamos o primeiro Horóscopo Misses, com previsões nada científicas para quem vive entre briefings, reuniões e prazos impossíveis.
Troca de Crachá (22/06 a 26/06)
Quem saiu, quem entrou, quem virou CEO às 9h de uma segunda-feira:
Agências
- BETC Havas anuncia Camila Nakagawa como copresidente e CEO da operação brasileira; Erh Ray assume como chairman do grupo no país. (Meio & Mensagem)
- AlmapBBDO anuncia Paula Keller Perego como diretora de criação. (Propmark)
- Lola\TBWA promove Marina Maia a diretora de criação. (Propmark)
- VOE anuncia Tassiana Ghorayeb como diretora de criação e promove Juliana Simões a head de planejamento. (Meio & Mensagem)
- We contrata Valentina Ursini como diretora de grupo de contas. (Propmark)
- DPZ reforça a integração entre criação e conteúdo com 20 contratações, movimento ligado à chegada de novos clientes como Mars e XP. (Propmark)*
Anunciantes
- Mondelēz Brasil anuncia Karina Ferreira como diretora de marketing de biscoitos e snacks; Felipe Pedrolli assume como diretor sênior de marketing de chocolates; Irene Santini passa a liderar o marketing de Club Social. (Meio & Mensagem)
- YouDare promove Carol Freitas a diretora de criação dedicada à conta da RD Saúde. (Grandes Nomes da Propaganda)
Plataformas/Mídia
- Jovem Pan contrata Luiz Alberto de Campos (Juca) como diretor nacional de vendas da CJPC. (AdNews)
Produtoras
- Pancs anuncia Ricardo Mantovanini como diretor de cena. (Meio & Mensagem)
Associações
- Cenp oficializa Melissa Vogel como nova presidente da entidade. (Propmark)
*DPZ não entra na contagem do Mulherômetro por ser um movimento coletivo de 20 contratações, sem especificação de gênero e cargos de chefia.
Fique ligada: esta seção é fixa. Teve movimentação ou sabe de um furo? Conta pra gente!
Mulherômetro
Porque o que não se mede não muda.
📊 Movimentações mapeadas: 15
👑 Mulheres em liderança: 10
👩💼 Participação feminina: 67%
Acumulado 2026
📊 Movimentações totais: 337
👑 Mulheres em liderança: 199
👩💼 Participação feminina: 59%
🟢 Que campanha é essa?
A seção em que a gente olha para o mercado e pergunta: mas o que foi isso?

O futebol tem um lado obscuro que quase nunca entra nas transmissões ou rodas de conversa: a violência doméstica. Um exemplo: segundo a Women’s Aid, os casos de violência doméstica aumentam 38% quando a Inglaterra perde e 26% quando vence durante grandes torneios.
No Brasil não é muito diferente. Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em dias de jogos, os registros de ameaça contra mulheres aumentam 23,7% e os de lesão corporal dolosa crescem 20,8%.
Para combater essa violência, a Women’s Aid do Reino Unido, em parceria com a agência ELVIS, lançou a campanha The Other Kick Off, substituindo, em painéis digitais, o horário do início do jogo por outro: 23h37.
É esse o horário aproximado em que muitos torcedores chegam em casa após o jogo.
Sem imagens chocantes e usando apenas um relógio, a campanha consegue chamar a atenção. Enquanto todo mundo presta atenção no que acontece dentro de campo, ela lembra que, para muitas mulheres, o momento mais difícil começa quando o jogo termina.
💡 Moral da campanha
Bons dados não servem só para embasar uma campanha. Eles podem ser a própria ideia.
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💜 Até a próxima!
