Misses at Mail nº 14: Efeito Vozinha + CNN na TV aberta + onde moram as notícias
Olá, Misses!
A semana trouxe algumas novidades que parecem desconectadas, mas passam pelo mesmo ponto: credibilidade.
A CNN Brasil quer chegar à TV aberta. O Reuters Institute mostra que redes sociais e creators já têm peso enorme no consumo de notícias. Cannes Lions reforçou que tecnologia nenhuma salva uma ideia fraca. E um guia sobre feminicídio nos lembra que a forma de contar uma história pode ajudar muito — ou piorar tudo.
No meio de tanta informação, opinião e ruído, parece que construir confiança voltou a ser uma parte central do trabalho de comunicação.
Boa leitura 💜
📱 A notícia foi pro feed…

O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, mostra que redes sociais e plataformas de vídeo passaram a ser, no mundo, mais usadas como fonte de notícia do que TV e sites ou aplicativos de veículos.
No Brasil, as redes sociais seguem à frente da TV no consumo semanal de informação. O relatório também aponta a força de creators e influenciadores que falam sobre notícias, política e atualidades. A notícia não desapareceu, mas passou a circular em ambientes onde se mistura com entretenimento, opinião, publicidade, IA e cortes de vídeo.
📺 …mas a TV segue viva
Ao mesmo tempo, a CNN Brasil planeja virar rede de TV aberta até 2027. Segundo o Jornalistas & Cia, o canal negocia com emissoras regionais para formar uma cobertura nacional, com possibilidade de estreia no segundo semestre de 2026 ou no início de 2027.
A meta é chegar a algo entre 80 milhões e 100 milhões de pessoas. Pode parecer um movimento na contramão do consumo digital, mas não é bem isso. Num cenário em que a audiência está espalhada por muitos canais, a TV aberta ainda oferece uma coisa difícil de replicar: escala rápida e reconhecimento de marca.
👑 Criatividade é rainha

Na edição 2026 do Cannes Lions, a inteligência artificial estava em praticamente tudo — e por isso mesmo deixou de ser o centro das atenções. O debate voltou para a ideia, a marca e o problema a resolver, com Grand Prix menos fascinados por ferramentas e mais atentos a campanhas capazes de construir marca, gerar conversa cultural e entregar resultado. A matéria publicada nesta semana no Misses at News traz mais insights sobre os aprendizados do festival.
📌 Bora aprofundar?

É justamente essa tradução do festival para o mercado brasileiro que a APP Brasil vai discutir na 3ª Edição do Fórum APP – Brasil em Cannes. O encontro será online, gratuito e acontece no dia 21 de julho, às 10h, com profissionais que estiveram na Riviera Francesa para comentar campanhas, bastidores, tendências e os Leões conquistados pelo Brasil.
⚠️ Utilidade pública

O guia Comunicação que Protege reúne diretrizes para a cobertura jornalística responsável de casos de feminicídio.
A publicação foi lançada pela Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), em trabalho conjunto com o TJDFT, o MPDFT e a Defensoria Pública do DF (DPDF). O material traz orientações sobre linguagem, proteção de vítimas e familiares, prevenção da revitimização, glossário de termos recomendados, protocolos de cobertura e informações sobre a rede de enfrentamento à violência de gênero.
Em tempos de clique fácil e cobertura acelerada, é um lembrete importante: a forma como uma violência é narrada também produz efeito.
Faz cara de conteúdo
Entre os destaques da semana, análises de mercado e novos textos dos nossos colunistas:
✨ Só li verdades

Em sua coluna de estreia, a especialista em branding Maria Renda fala sobre autenticidade no trabalho e mostra que defender ideias não precisa significar abrir mão da própria essência.
🫶 Masculinidade atóxica

Nosso colunista Regi Andrade reflete sobre masculinidade, saúde mental e o peso de crescer ouvindo que demonstrar emoção é sinal de fraqueza.
⚽ Aguenta, coração!

Campanha do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, criada pela bauc., usa trigger ads para transformar lances da Copa em alertas sobre saúde.
Troca de Crachá (29/06 a 03/07)
Quem saiu, quem entrou, quem virou CEO às 9h de uma segunda-feira:
Agências
- Publicis Groupe Brasil anuncia Willie Taminato como presidente de Connected Media, com foco em integrar e-commerce, CRM e performance às estratégias de mídia das agências do grupo. (AdNews)
- WMcCann promove Guilherme Aché a executive creative director, reforçando a estrutura criativa sob comando de Rapha Borges. (Grandes Nomes da Propaganda)
- Galeria.ag reforça as áreas de mídia e negócios: Gabriela Loureiro é promovida a diretora de mídia; Marta Ariboni chega como diretora de mídia; Larissa Pires entra como executiva de negócios; Luiza Gentile Reis assume como gerente de estratégia; e Fernanda Leal integra o time como gerente de mídia. (Propmark)
- Crème Company contrata Rodrigo Pedreira como head of sales. (Meio & Mensagem)
- AfroReggae Audiovisual anuncia Flavia Abreu como produtora executiva. (Grandes Nomes da Propaganda)
Anunciantes
- Unidas anuncia Antônio Augusto Santos como diretor executivo de marketing, customer experience e atendimento. (Propmark)
- Aon apresenta Mariana Lemos como diretora de marketing para o Brasil. (Propmark)
- Matchpoint Real Estate nomeia Camila de Castro como COO e sócia. (Propmark)
- Volkswagen anuncia Juan Felipe Bedoya como diretor executivo. (Grandes Nomes da Propaganda)
Plataformas/Mídia
- US Media anuncia Carolina Tuttoilmondo como VP de Vendas, Trade e Parcerias no Brasil. (Misses at News / Grandes Nomes da Propaganda)
Tecnologia/Negócios
- BonifiQ anuncia Lays Schiavinatto como head de marketing e Mariana Vicente como head de parcerias. (Grandes Nomes da Propaganda)
- BMP nomeia Luiz Conrado Sundfeld como CFO. (Grandes Nomes da Propaganda)
Fique ligado: esta seção é fixa. Teve movimentação ou sabe de um furo? Conta pra gente!
Mulherômetro
Porque o que não se mede não muda.
📊 Movimentações mapeadas: 16
👑 Mulheres em liderança: 10
👩💼 Participação feminina: 63%
Acumulado 2026
📊 Movimentações totais: 364
👑 Mulheres em liderança: 216
👩💼 Participação feminina: 59%
🟢 Que campanha é essa?
A seção em que a gente olha pro mercado e pergunta: mas o que foi isso?

Imagem: Reprodução
🇨🇻 Efeito Vozinha
Josimar José Évora Dias entrou na Copa do Mundo de 2026 sem contrato ativo, aos 40 anos e com cerca de 50 mil seguidores no Instagram. Saiu com mais de 23 milhões de seguidores. Para dar uma ideia da escala: Cabo Verde tem pouco mais de 527 mil habitantes, e a seleção argentina, sua algoz nesta Copa, conta 16,1 milhões.
O goleiro, cujo nome de batismo é uma homenagem ao lateral brasileiro Josimar, destaque da Copa de 1986 no México, virou a sensação do Mundial depois de fechar o gol contra a Espanha na estreia de Cabo Verde. Foram sete defesas, empate em 0 a 0 contra uma das favoritas ao título e o começo de uma das histórias mais improváveis desta Copa.
O empurrão brasileiro veio pela CazéTV. Durante a transmissão do jogo contra a Espanha, o canal puxou um mutirão para seguir Vozinha no Instagram. O goleiro saiu de cerca de 50 mil seguidores para mais de 1 milhão ainda durante a partida — e continuou crescendo conforme Cabo Verde virava, para muita gente, a melhor equipe desta edição do torneio.
O jogo contra a Argentina, que perdeu por honrosos 3 a 2, é tido por muitos comentaristas como um dos melhores da história das Copas. Cabo Verde empatou duas vezes com os atuais campeões do mundo, levou Messi e companhia ao limite e saiu de campo com mais admiração do que muita seleção classificada.
O efeito fora de campo foi imediato — e mensurável. Vozinha fechou sua primeira publicidade logo depois de virar fenômeno. A visibilidade de Cabo Verde também virou busca, desejo e conversa. Segundo o Skift, veículo especializado no mercado de viagens, o interesse turístico por Cabo Verde também cresceu: as buscas pelo destino na TUI, uma das maiores operadoras de turismo da Europa, dobraram, enquanto a Expedia registrou alta de mais de 800% nas buscas feitas dos Estados Unidos.
A conexão com o Brasil também ganhou corpo. A Cabo Verde Airlines retomou em maio a rota direta entre Praia e Recife, e abriu vendas para voos entre Recife e a Ilha do Sal a partir do fim de outubro. Para um arquipélago em que o turismo representa cerca de 25% do PIB, não é pouca coisa.
Nenhuma agência de viagens compraria esse roteiro. Um goleiro veterano, uma seleção improvável, uma transmissão brasileira, milhões de novos seguidores e um país inteiro entrando no mapa pelo caminho mais poderoso que existe: uma história boa demais para não ser compartilhada.
Moral da campanha: o menor país do mata-mata gerou o maior efeito de marca da Copa. Tamanho, definitivamente, não é documento.
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