Desde que os Três Tenores encerraram sua parceria, em 2003, o mundo das artes eruditas não via uma campanha de marketing tão bem-sucedida – e completamente involuntária. Sim, estamos falando do Timothée Chalamet, que em poucos segundos conseguiu provocar a revolta não só dos fãs de ópera e balé, mas até de quem nunca ouviu um dó de peito ou viu um pas de deux.
A conversa aconteceu durante um town hall (entrevista aberta com plateia) com o ator Matthew McConaughey, na Universidade do Texas, e viralizou agora em março, às vésperas do Oscar.
Chalamet disse que não queria trabalhar com artes que as pessoas tentam “manter vivas mesmo que ninguém mais se importe”. E ainda disse, em tom de deboche, que perderia “14 centavos em audiência” com a fala — desdenhando de um setor que atrai mais de 80 milhões de pessoas aos teatros anualmente no mundo todo.
Pra quê? Teatros, cantores, orquestras e bailarinos responderam imediatamente, em uma vendetta perfeita:
O Met Opera (NY) respondeu com um vídeo de bastidores que já passa de 450 mil curtidas no TikTok sob a legenda: “Essa é para você, Timothée”.
A Seattle Opera foi mestre no deboche: criou o cupom “TIMOTHEE” com 14% de desconto para a ópera “Carmen”. O resultado? Mais de US$ 28 mil em vendas extras em um único fim de semana.
A repercussão levou as hashtags #OperaIsAlive e #BalletCore ao topo dos Trending Topics globais, com um alcance estimado em mais de 50 milhões de pessoas –provando que esse público é mais fiel e barulhento que muita torcida de futebol organizada.
No fim das contas, Chalamet acabou não levando o Oscar (macumba da Alcione? ziquizira? malocchio?) e fortalecendo sua imagem de palyboy mimado a leite com pera.
Resumo da ópera: como dizia P.T. Barnum, “não existe má publicidade, desde que escrevam seu nome corretamente”. Ou, em bom português: falem mal, mas falem de mim. Toi-toi-toi!